Rio - As duas principais mudanças propostas na reforma política que devem provocar debates calorosos no Congresso são o voto em listas pré-ordenadas e o financiamento público de campanhas. Se aprovada a lista partidária, o eleitor não vai mais votar no seu candidato a deputado federal e estadual, ou vereador, mas no partido. Cada legenda apresentará lista com os seus candidatos. Ao votar na sigla, o eleitor estará votando em toda a relação. O número de eleitos por cada partido será definido proporcionalmente aos votos obtidos pela legenda para o cargo. Os candidatos entrarão de acordo com a ordem na lista.
O deputado Miro Teixeira (PDT) promete usar todas as armas para derrubar a medida. “Não se pode ter democracia sem o voto direto do povo. Quem organizará a lista serão os dirigentes partidários. Vou mostrar quantos dirigentes estão sendo processados por formação de quadrilha no Supremo Tribunal Federal e perguntar: quem é melhor para organizar os eleitos, eles ou o povo?”, protestou.
Da atual proposta, Miro só defende a cláusula de barreira, mas de 5%, e não de 2%. “Pelo projeto atual, o povo não vota em quem quer, mas paga. E o partido não precisa ter voto para continuar existindo”, diz ele.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), rebate Miro.
Defensor ardoroso do financiamento público de campanha, Chinaglia diz que ele só pode ser implementado com voto em listas. “Com a lista, a burocracia pode imperar. Mas no modelo atual, a exclusão é por um mecanismo ainda mais perverso: o modelo econômico. É importante ter o financiamento público para você dar oportunidade àqueles que não querem ter relação com empresas, bancos e empreiteiras na política”, afirma.
Ainda há os que defendem o voto distrital. “A maioria no PSDB defende a mudança para que o eleitor escolha um representante na sua região. Mas é preciso mudar a Constituição”, explica Otávio Leite (PSDB-RJ).