Rio - O Clube Militar do Rio de Janeiro emitiu nota nesta quinta-feira reagindo à pensão de R$ 12 mil concedida à família do ex-guerrilheiro Carlos Lamarca, morto em 1971. No texto, o presidente da entidade, general Gilberto Barbosa de Figueiredo, reclama do "inconformismo" e "revanchismo raivoso" da esquerda reminiscente da luta armada e do "terrorismo" dos anos de 1970. Ele se refere a Lamarca como "terrorista ladrão, algoz e assassino".
"Milhares de pessoas receberam os benefícios de anistiados. Outras se valeram da alegação de vítimas e de prejudicados da ditadura para também receberem grossas indenizações. Agora é reclamada pela família Lamarca a pensão correspondente ao posto de general, a um ex-oficial que, dolosamente, desertou com um sargento, levando armas retiradas furtivamente de sua própria unidade. Antes de se tornar terrorista da Vanguarda Popular Revolucionária, Carlos Lamarca já se tinha feito réu de crime militar", aponta.
"Terrorista ladrão, algoz e assassino"
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu anistia política ao capitão Carlos Lamarca, em sessão realizada na manhã desta quarta-feira. A viúva de Lamarca, Maria Pavan Lamarca, receberá pensão relativa ao salário de general de brigada, que hoje corresponde à R$ 12 mil, conforme o Ministério da Defesa. Se continuasse sua carreira militar, ele teria se aposentado como coronel, mas a legislação determina que os inativos recebem o valor referente a um posto acima na graduação militar.
Maria e os filhos, César e Cláudia, também foram considerados anistiados nesta quarta. Os três receberão prestação mensal única no valor de R$ 100 mil. Os recursos para o pagamento da indenização a Carlos Lamarca partirão do Ministério da Defesa. Cláudia e os dois filhos vão receber pelo Ministério do Planejamento.
Figueiredo considera a ação dos familiares do ex-capitão uma "tentativa de revanchismo e de esperteza". "A suposta reparação de injustiças passadas se está inserindo na onda de espertezas e de corrupção que assola o Brasil, que desmoraliza a Nação, enriquecendo os desonestos e, agora, os descendentes de um terrorista ladrão, algoz e assassino", acrescenta.