
Belém (PA) - A dona de casa Roberta Sandreli Rolim passou mal durante a segunda sessão de julgamento a qual está sendo submetida nesta quinta-feira no Tribunal do Júri de Belém (PA). Ela é acusada de ser co-autora na morte da menina Marielma de Jesus Sampaio, 11 anos, que trabalhava como babá em sua casa. Ela e o marido, apontado como o autor do crime, foram condenados a mais de 20 anos de prisão - 38 anos para Roberta e 52 para Ronivaldo - e tiveram direito, segundo a legislação brasileira, a uma nova sessão de julgamento. Ronivaldo teve a sentença mantida.
Roberta teve que ser retirada da sala do Tribunal do Júri porque chorava muito e começou a passar mal ao ouvir a leitura do laudo necroscópico com os detalhes da morte da babá, ocorrida em 2005, na residência do casal. Marielma foi torturada, espancada, estuprada e ainda recebeu choques elétricos.
Em interrogatório prstado ao juiz Raimundo Moisés Flexa, que preside a sessão, a ré reafirmou o que foi dito na primeira sessão de seu julgamento, ocorrida em agosto do ano passado. Ela declara que foi o marido, Ronivaldo Furtado, o agressor e assassino de Marielma. "Eu nunca agredi a menina. Não tinha motivo nem para repreendê-la. Foi Ronivaldo que matou ela, eu não fiz nada".
A ré disse ainda que o marido a obrigou a forjar sua participação no crime. "Ele me deu a perna de um banco e mandou que eu batesse nela, quando ela já estava desfalecida, para que as minhas digitais ficassem no banco", contou a ré. Ainda segundo Sandreli, o marido a agredia constantemente, tanto verbalmente como fisicamente e também era temido na rua onde eles moravam, motivo pelo qual tinha medo de denunciá-lo e teria aceitado confessar a autoria do crime. "Só quem é agredido é que sabe. Ele dava vários tiros pra cima em casa para intimidar. Até os vizinhos tinham medo dele", disse Sandreli.
A promotoria pediu que fossem lidas cartas trocadas entre o casal, logo que os dois foram presos. Nas cartas, Roberta diz que está com saudade do marido, que o ama e que não sabe viver sem ele. Numa delas faz a seguinte declaração: "manda uma camisa tua porque não sei viver sem o teu cheirinho". Perguntada sobre a acusação, a ré negou que tenha escrito as cartas.
Segundo informou a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Pará, não há previsão para o término do julgamento. Faltam ser ouvidas quatro testemunhas de acusação e outras três arroladas pela defesa.
As informações são de Lucy Silva, do Terra