Michel Alecrim
Rio - Foi dada a largada para a presidência da Câmara Municipal. O atual comandante da casa, vereador Ivan Moreira (DEM), vai deixar o cargo para ocupar lugar entre os conselheiros do Tribunal de Contas do Município (TCM). A disputa vai ser uma das mais acirradas nos 30 anos do Legislativo municipal, já que o vitorioso será o substituto imediato do prefeito Cesar Maia, hoje sem vice.
Na corrida pela cadeira mais nobre do Palácio Pedro Ernesto saíram na frente Jorge Pereira (PP) e Jorge Felippe (PMDB), que lideram os blocos Por Um Rio Mais Feliz e Transparência. O primeiro vem recolhendo assinaturas a seu favor e já conta com pelo menos 20 adesões, apesar de a ‘chapa’ só ter 11 integrantes. O outro tem o apoio do bloco Alternativa Rio, somando com isso 18 vereadores.
A medição de forças vem tomando o tempo dos vereadores e virou o principal assunto nas conversas dos corredores. Os bunkers dessa guerra são os gabinetes do próprio Pereira e de Chiquinho Brazão (PMDB), onde as reuniões não pararam.
Durante a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2008, na quinta-feira, Ivan Moreira teve que convocar várias vezes os parlamentares para o plenário, ameaçando verificar presença na sessão de quem tinha assinado, mas subido para voltar às negociações.
Para vereadores experientes, a estratégia de Pereira é reunir apoio para na hora certa lançar um de seus aliados. O mais provável é Sami Jorge (PDT), que tem ótimas relações com o prefeito e foi presidente da Câmara durante 12 anos. Caso queira radicalizar, tem como opção Luiz Guaraná (PSDB) ou Carlos Eduardo (PSB). “O Pereira é o melhor nome. Representa linha de independência”, esquiva-se Guaraná.
Já no outro bloco, o lema é “independência e harmonia”. “Se vingar um nome radical, de enfrentamento, a cidade sai perdendo”, opina Felippe, que também é contra a submissão da Câmara.
A renúncia do presidente só deve ocorrer em agosto. Até lá, a corrida continua.
Cesar quer eleger alguém de sua confiança
Diante de uma disputa que pode render um substituto incômodo a ele, o prefeito Cesar Maia resolveu não marcar touca. Para evitar um desastre político, determinou aos integrantes de seu partido que não se comprometam com nenhum candidato. Conforme noticiou o ‘Informe do DIA’ na quinta-feira, Cesar mandou um e-mail dizendo: “O processo de escolha do novo presidente da Casa terá a dinâmica definida por mim”.
Para a democrata Teresa Bergher, a mensagem suscitou dúvidas. “Antes, ele disse que não interviria. Mas o e-mail passava outra idéia”, comentou a parlamentar.
Já para Aloísio Freitas, também do DEM, a iniciativa do prefeito foi a pedido dos próprios vereadores diante da divisão da bancada governista. “Cesar nunca determinou como iríamos votar, e não vai ser agora que vai fazer isso. Pedimos para ele conduzir o processo, mas por caminho democrático”, alegou o vereador, que simpatiza com Sami Jorge.
A tentativa de se emplacar o líder governista Paulo Cerri não deu certo. Nem na própria bancada obteve apoio. “Ele é experiente, mas tem melhor perfil para líder. Um bom presidente precisa ter bom relacionamento na Casa e ficar neutro”, argumenta Aloísio.