Brasília - A Polícia Federal e a Receita Federal começaram a fechar o cerco contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Auditores da Receita estão analisando os dados das declarações de rendimentos do senador e das empresas com as quais ele afirma ter negociado gado de sua propriedade. O que desencadeou a ação dos fiscais foi noticiário mostrando que Renan justificou rendas apresentando recibos de venda de carne a empresas que não mais existem, além dos indícios de que teriam sido usadas notas frias.
A Receita quer saber se o presidente do Senado declarou as rendas de R$ 1,9 milhão que afirma haver recebido com suas atividades na área rural. Os valores que ele declarou poderão ser confrontados com a movimentação bancária.
A Polícia Federal, por sua vez, recebeu ontem cópia dos dos documentos apresentados por Renan como prova de que o dinheiro que pagava as despesas da jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha, provinha das suas atividades agropecuárias. A jornalista afirma que recebia o dinheiro através de Cláudio Gontijo, amigo de Renan e apontado pela PF como lobista.
Equipe do Instituto Nacional de Criminalística da PF está verificando, com técnicos do Senado, a veracidade dos documentos. O laudo deve sair até terça-feira, data da reunião do Conselho de Ética, onde é analisado o relatório em que o senador é acusado de quebra de decoro.