Brasília - O lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, negou nesta segunda-feira, durante depoimento ao Conselho de Ética do Senado, que “um único centavo” seu ou da construtora tenha sido repassado à jornalista Mônica Veloso a pedido do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem uma filha com ela. Gontijo acrescentou que “todos os contratos da Mendes Júnior são fruto de licitação”, não havendo nenhuma intervenção de Renan.
O lobista afirmou que atuou como intermediário, repassando o dinheiro do senador a Mônica, “inicialmente por meio de depósitos, depois pessoalmente”. Ele disse que marcava um almoço com a jornalista ou ela mesma ia até seu escritório para receber o dinheiro. “Eu mesmo fiz esses depósitos. Guardei durante muito tempo os comprovantes, mas achei que não era papel para ser guardado e eu os destruí”, afirmou.
Gontijo contou que conheceu a jornalista através de Renan Calheiros em “março ou abril de 2003”, quando eles começaram a relação. “Eu combinava de almoçar com ela, conversar”, disse. Mônica, em entrevista à revista "Veja", afirmou que não tinha relação de amizade com o lobista. O lobista disse ainda que a pensão inicial de R$ 8 mil passou para R$ 12 mil porque a jornalista, se dizendo ameaçada, contratou segurança particular, que passou a ser paga pelo senador.
O lobista contou que Renan o apresentou a Mônica muito antes da gravidez. E que, quando ela ficou grávida, os dois (o senador e a jornalista) se encontraram na sua casa, quando surgiu a proposta para que Gontijo intermediasse o contato entre eles. "Ela concordou que eu seria ali um mensageiro tanto dele quanto dela". E resumiu: "Foi uma solução natural."
"Guardião de um segredo"
Segundo o funcionário da Mendes Júnior, Renan teria dito que não poderia ficar encontrando com Mônica depois da gravidez, e falou que ele seria um “mensageiro”, tanto dela quanto dele. “Conhecia a relação entre os dois, e foi natural ele ter me delegado essa missão. Fui guardião de um segredo que não compartilhei com ninguém”, garantiu.
Cláudio Gontijo disse ter conhecido Renan Calheiros logo quando chegou a Brasília, em 1987. Segundo ele, depois que se separou da mulher, foi acolhido pela família de Calheiros, principalmente por Verônica, mulher do presidente do Senado. “Para mim, era uma casa de família”, afirmou.
Gontijo reclama de ser chamado de lobista
No depoimento, Cláudio Gontijo reclamou de ser chamado de lobista. “Sou gerente de desenvolvimento de mercado. Acho que vou demorar muito tempo para me recuperar desse título, pejorativo, de lobista que me deram”, disse. O funcionários da Mendes Júnior afirmou ainda que não trata de assuntos de interesse da empreiteira com Renan. “Apenas falei do Porto de Maceió, que a obra estava paralisada”.
Gontijo começou a ser ouvido após o advogado da jornalista, Pedro Calmon Filho.