Brasília - Em resposta a uma reportagem da "TV Globo", o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou à imprensa nesta terça-feira documentos que supostamente comprovam que não há duplicidade de recibos de venda de gado de sua fazenda em Alagoas.
O presidente do Senado alegou erro de digitação para justificar a duplicidade no número de cheques em recibos de comercialização de gado apresentados por ele ao Conselho de Ética da Casa. Renan é suspeito de fraudar documentos que confirmariam que ele tem rendimento suficiente para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Segundo o senador, há dois recibos diferentes mencionando o mesmo número de cheque - 409.571, do Banco HSBC, assinado por Marcelo Nunes Amorim. Ele alega que os valores são diferentes por causa de um erro de digitação em um dos recibos.
Para comprovar a afirmação, o senador exibiu dois cheques nos valores correspondentes aos dois recibos. O cheque número 409.571, segundo o senador, corresponde ao valor de R$ 30.800,00, se refere ao pagamento que recebeu pela venda de 550 arrobas de vaca e foi depositado em sua conta corrente no Banco do Brasil.
O erro de digitação mencionado por Calheiros teria ocorrido no último algarismo do número do segundo cheque - no valor de R$ 95.232,00 -, o qual, de acordo com o senador, é o de número 409.575, correspondente à venda de 1.536 arrobas de boi.
Além dos dois recibos, o senador apresentou ainda, de acordo com a "Agência Estado", cópias dos dois cheques com numerações, valores e datas diferentes. Ele disse que, embora os cheques tenham datas diferentes, os dois recibos têm a mesma data - 21 de abril de 2004 -, porque, segundo ele, o segundo é um cheque pré-datado.
Renan é acusado de ter tido despesas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior.