Brasília - O senador Sibá Machado (PT-AC) reiniciou nesta quarta-feira, por volta de 17h30, a reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que discutirá e votará o relatório do senador Wellington Salgado (PMDB-MG) à representação do PSOL contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
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Em decorrência do pedido de afastamento do ex-relator, senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), por motivo de saúde, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) aceitou a relatoria.
O novo relator disse que fará "alguns adendos" ao relatório já pronto e que pretende sugerir "alguma coisa", mas não quis adiantar se vai seguir o parecer anterior do ex-relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que recomendou o arquivamento do processo.
Calheiros foi denunciado por quebra do decoro parlamentar em virtude de supostamente ter recebido ajuda financeira do lobista da construtora Mendes Júnior Cláudio Gontijo.
Salgado adiantou também que não vai entrar na polêmica sobre a origem do dinheiro para o pagamento da pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso. Segundo ele, pelos extratos de Renan está comprovado que havia recursos próprios para as despesas. "Mas se a origem está sendo contestada, é o caso de abrir outro processo no Conselho de Ética", afirmou Salgado.
Colegas defendem adiamento de exame da representação
O líder do PSDB no Senado Federal, senador Arthur Virgílio (AM), afirmou, na reunião, que o PSDB "acha prudente" adiar a votação do relatório sobre a representação do PSOL contra o senador Renan Calheiros, presidente do Senado. Arthur Virgílio disse ser necessário mais tempo para a complementação das investigações, para que os senadores possam ter um "voto consciente".
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) opinou que, ao invés da oitiva ser realizada amanhã, como deseja Renan, seja adiada para após uma nova perícia a ser realizada pela Polícia Federal.
Favorável à votação do relatório sobre a representação do PSOL contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposta quebra de decoro parlamentar, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), sustentou que o que está em discussão é o laudo pericial pedido pelo conselho sobre a autenticidade dos documentos apresentados pela defesa de Renan.
PSOL questiona idoneidade de relator substituto
O senador José Nery (PSol-AC) questionou no começo da reunião do Conselho de Ética do Senado a idoneidade do relator provisório da representação contra o presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Segundo Nery, Salgado não poderia ocupar a função porque atuou em parceria com Calheiros num contrato de comodato em 1996 para ocupar imóvel em Goiás destinado a investimento do senador mineiro. Na época, Calheiros era presidente da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (Cnec).
"Questiono a substituição, devido à relação dele com o representado (Calheiros)", disse Nery
Salgado substituiu nesta quarta Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que pediu licença por motivos de saúde.
O presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC), recusou o questionamento. Alegou que Nery não faz parte do conselho. Logo no começo da sessão, Sibá retificou informação dada por ele nos últimos dias de que o processo de votação do relatório que pede o arquivamento do processo já teria começado na sessão da última sexta. Segundo Sibá, o processo está ainda em fase de discussão.
Salgado: "se não for hoje (a votação) eu desisto"
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) afirmou que abre mão da relatoria do caso que envolve uma suposta quebra de decoro parlamentar do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
"Eu me sinto totalmente preparado para relatar hoje. Se não for hoje eu desisto. Não abro mão do meu relatório", disse Salgado, que substitui o primeiro relator do caso, Epitácio Cafeteira (PTB-MA).
Cafeteira fez o mesmo da reunião da última sexta-feira, mas voltou atrás e permitiu o adiamento. No final de semana, no entanto, Cafeteira se afastou com atestado médico e Salgado assumiu o seu lugar.
A ameaça do novo relator foi feita após grande parte dos senadores do Conselho de Ética, inclusive aliados de Calheiros, defenderem um novo adiamento. Para os parlamentares, não houve tempo de fazer a análise da perícia feita Pela Polícia Federal nos documentos de defesa de Calheiros. O material foi entregue apenas na noite de ontem, mas alguns senadores o receberam apenas na manhã desta quarta-feira.
O próprio presidente do colegiado, Sibá Machado (PT-AC), sugeriu o adiamento. "Até o momento, o que entendo, é que não há esclarecimentos suficientes", disse.
Parlamentares também defendem que Calheiros compareça ao Conselho para dar explicações sobre as acusações que pesam contra ele.
Com agências