
João Pessoa (PB) - O grupo Gautama estima perdas de R$ 1 bilhão em contratos que podem ser cancelados e mais de 5 mil demissões no País após a deflagração da Operação Navalha, que investiga uma suposta máfia que fraudaria licitações públicas. A informação foi dada por Dimas Veras, irmão de Zuleido Veras, suspeito de ser o chefe do esquema descoberto pela Polícia Federal. Segundo ele, a estimativa de prejuízos representa 80% dos contratos ligados às empresas Gautama. A empreiteira é considerada elemento chave para a execução das fraudes.
Dimas Veras passou 11 dias preso após a Operação Navalha. As perdas atingiriam também a Construtora Mandala e Ecossama (Companhia de Saneamento de Mauá-SP).
Paraibano de Cacimba de Dentro, Dimas mora na cidade de Patos, sertão da Paraíba, e é o responsável pela execução do programa do governo federal Luz para Todos no Piauí. "Somente lá, mais de 300 funcionários foram demitidos", adianta ele, contabilizando mais de 5 mil funcionários demitidos em todo o país entre diretos e indiretos.
Segundo Dimas Veras, todas as contas bancárias da empresa estão bloqueadas. "Vamos atrás de receber pelo que já foi executado", adianta ele, explicando que a intenção é concluir a obra do Piauí até final de 2008.
Mas Dimas acredita que Zuleido vai se recuperar. "Pela capacidade de trabalho nossa, vamos trabalhar, continuar trabalhando. Eu tenho família para sustentar... a vida continua." Para ele, ficou um aprendizado. "A alegria de reencontrar a família supera tudo. Tudo na vida tem o lado ruim e o lado bom", conclui.
As informações são de Michelle Sousa, do Terra