BRASÍLIA - A decisão sobre o processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode ficar para depois do recesso de julho do Congresso. Aliados de Renan estão se articulando para retardar ao máximo a definição sobre o caso. Renan é acusado de ter recebido dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
Nesta sexta, foi dia de folga para o Conselho de Ética, que continua sem relator para o processo depois que dois aliados de Renan — Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e Wellington Salgado (PMDB-MG) — renunciaram ao cargo. A escolha do novo relator deve acontecer na próxima semana. Até lá as investigações ficam paradas.
O presidente do Senado tentou aparentar normalidade. Em fato raro, Renan presidiu a sessão da Casa, em uma sexta-feira, quando a maioria dos parlamentares está fora de Brasília. Menos de 10 senadores se revezaram na presença. “O Senado está funcionando e vai continuar funcionando”, declarou o senador.
Entre as estratégias dos aliados de Renan está a idéia de dar 30 dias para a Polícia Federal concluir a perícia nos documentos da defesa do senador. A oposição porém promete reagir. “Primeiro tentaram arquivar sumariamente. Agora querem deixar o barco correr para que um novo escândalo surja”, disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).