
Brasília - O Psol deve ingressar com uma representação no Conselho de Ética contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), por fraudes no Banco de Brasília. A preocupação do partido, no entanto, é que a abertura de um processo possa desviar o foco das denúncias contra o presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
"Já existe uma deliberação geral do partido para tomar todas as medidas sobre questões éticas. Mas o que temos que discutir é a oportunidade imediata. Temos que levar em conta o processo de Renan, não podemos dispensar o foco", avaliou o deputado federal Ivan Valente (PSol-SP).
A deputada Luciana Genro (PSol-RS), integrante da Executiva Nacional da legenda, afirma que o partido não pode ficar omisso, embora não afirme quando seus parlamentares deverão agir contra Roriz."Não dá para se confrontar com denúncias desse calibre e não tomar atitude. Vamos decidir qual o encaminhamento, mas deve ser um processo no Conselho de Ética", observou a deputada.
As denúncias contra o senador, que incluem a citação na Operação Aquarela da Polícia Civil do DF - que apurou um esquema de desvio de dinheiro do BRB na gestão de Roriz como governador do DF (1999 a 2006), também devem ser investigadas pelo corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (Democratas-SP). Sua assessoria de imprensa confirmou nesta segunda-feira que assim que o senador voltar a Brasília, pedirá cópias das investigações da PF.
As denúncias contra o senador agradam os aliados de Calheiros. Eles avaliam que a repercussão do caso possa esfriar o interesse da imprensa no presidente da casa, já que a estratégia agora é adiara ao máximo a votação da representação. O presidente do Conselho de Ética, Siba Machado (PT-SP), está em Brasília, mas ainda não deu nenhuma sinalização sobre o nome do novo relator.
Calheiros ainda tenta provar ter renda suficiente para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso (com quem teve um filho em relação extraconjugal), sem ter recebido ajuda indevida do lobista Cláudio Gontijo (da empreiteira Mendes Júnior.
As informações são de Maria Clara Cabral do Terra