Brasília - O senador Sibá Machado (PT-AC) ocupou a tribuna do Senado nesta quarta-feira para tentar explicar o motivo de sua renúncia do cargo de presidente do Conselho de Ética, anunciada na noite desta terça-feira. O petista afirmou que, desde terça-feira, começou a sentir que suas decisões não estavam agradando aos colegas do conselho.
“Alguns senadores que compõem a maioria estavam incomodados com os meus encaminhamentos desde a última reunião do conselho", declarou. "Senti também que os encaminhamentos para a reunião desta quarta-feira perturbaram ainda mais alguns senadores".
"Junta-se a isso a incompreensão de parte da oposição com a condução dos trabalhos, além do fato de ver que o processo foi contaminado por interesses que vão além do objeto da representação", complementou. “Por tudo isso, entendi não poderia mais continuar à frente dos trabalhos do conselho".
Sibá negou ter protelado as decisões sobre o caso Renan Calheiros e afirmou, ainda, que fez todos os esforços para que as investigações tivessem um curso “normal” e para escolher o relator da representação do PSOL. Mas o ex-presidente do conselho afirmou ter optado por não indicar um petista para o cargo porque percebeu “que não seria justo que o partido assumisse simultaneamente as duas funções [relatoria e presidência]”.
Apartes
O discurso foi considerado fraco por outros senadores; no entendimento deles, o pronunciamento não trouxe dados nem nomes. Sibá recebeu, porém, apoio de colegas da base do governo e da oposição. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou que ele “orgulha a bancada do PT”. O líder do PSDB na Casa, senador Arthur Virgílio (AM), afirmou que Sibá estava “reunindo condições para se tornar um presidente independente do Conselho de Ética”.
O aparte mais áspero foi do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Apesar de afirmar que as virtudes de Sibá se sobressaem aos seus defeitos, o peemedebista afirmou que o petista lhe parecia “ingênuo” e que o Conselho de Ética fez “trapalhadas”. Uma delas, na opinião de Vasconcelos, foi não ter indicado o nome do senador Pedro Simon (PMDB-RS) para o colegiado.
Por fim, o senador Renan Calheiros afirmou que Sibá conduziu seus trabalhos no colegiado com isenção e transparência. Em seguida, iniciou a Ordem do Dia.