São Paulo - A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que 175 corpos já foram retirados dos escombros do local do maior acidente da aviação brasileira. Com as mortes de outras três pessoas que estavam no prédio atingido pelo avião da TAM já são 178 mortes confirmadas. Durante entrevista coletiva nesta tarde, a empresa garantiu que todos os envolvidos serão indenizados.
Segundo a TAM, 186 pessoas estavam a bordo do vôo JJ 3054, ao invés de 176, como foi divulgado anteriormente. A companhia informou que 18 eram funcionários da empresa, seis eram tripulantes (dois comandantes e quatro comissários) e o restante era de passageiros, no total de 162.
Nove vítimas já foram identificadas pelo IML: João Francisco Caltabiano, Fabio Martinho Novakoski Fernandes, José Antônio Lima da Luz, José Luís Souto, Osvaldo Luiz de Souza, 49 anos (dono de empresa de transporte e usava o hangar da TAM no momento do acidente), Fernando Volpe Estado, Silvânia Regina de Ávila Alves, Guilherme Duque de Moraes, Michele Dias Miranda, 24 anos ( funcionária da TAM Express e chegou a ser socorrida ao Hospital Dante Pazzanese). Entre as vítimas da tragédia que ainda não tiveram seus corpos identificados está também o deputado tucano Júlio Redecker (PSDB/RS).
Porta-vozes dos bombeiros já descartaram a possibilidade de encontrar sobreviventes entre os escombros do edifício e destroços do avião, que ficou totalmente carbonizado. As autoridades temem que o número de mortos possa superar os 200.
A TAM dá por desaparecidos no acidente pelo menos cinco de seus funcionários em terra. Uma funcionária da filial foi resgatada viva, mas morreu em um hospital. Onze pessoas que se encontravam no edifício da TAM no momento do acidente foram resgatadas vivas, com "ferimentos leves". No momento do desastre, havia pelo menos 50 funcionários no imóvel.
Equipes do Corpo de Bombeiros continuam trabalhando intensamente na manhã desta quarta-feira para retirar dentre os escombros. Neste momento, 100 homens e 25 viaturas do Corpo de bombeiros trabalham no resgate dos corpos.
O avião, um Airbus A320 que tinha decolado de Porto Alegre, se acidentou às 18h50 da terça-feira, quando tentava aterrissar em Congonhas. A aeronave não conseguiu frear na pista, passando por cima de uma importante avenida e chocando-se contra dois prédios e um posto de gasolina. Um dos prédios atingidos foi o da TAM Express.
A caixa preta do avião foi encaminhada para o National Transportation Safety Board, nos Estados Unidos. A informação foi transmitida pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta manhã.
O Corpo de Bombeiros também retirou nesta manhã dos escombros o trem de pouso do avião. A peça vai ser periciada, assim como todos os outros restos do avião, que ainda estão sob o prédio da TAM Express, na Avenida Washington Luiz.
Dois vôos decolaram nesta manhã da capital gaúcha transportando para São Paulo familiares de vítimas do acidente.
Trata-se da maior tragédia da aviação brasileira. Até então o acidente com maior número de mortes era o que envolveu o jato Legacy e o Boeing da Gol, ocorrido em setembro do ano passado, no qual 154 pessoas morreram.
Últimas palavras: ‘Vira, vira!’
“Vira, vira, vira!”. Essas foram as últimas palavras do piloto do 3054 à torre do Aeroporto de Congonhas, pouco antes de se chocar com o prédio da TAM Express. A revelação foi feita pelo governador de São Paulo, José Serra. Piloto de outro avião ouviu pelo rádio o desespero do colega do 3054: “Depois só vi uma bola de fogo”.
Serra comentou os últimos momentos antes do acidente. “Ele (o piloto) estava muito veloz para ter pulado a avenida sem bater nos postes. A parte visível do avião se desfez com o incêndio e com o choque”, disse.
Para o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo César Rebelo Pinho, a aterrissagem foi correta. “O avião pousou normal, mas não teve como fazer a parada, passou reto e se chocou com o prédio”, explicou.
Comandante diz que pouso foi normal
O piloto do vôo 3054 fez um pouso normal em Congonhas, mas por motivos ainda desconhecidos tentou arremeter no fim da pista principal do aeroporto. Esse relato foi repassado pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com base em informações de funcionários de controle aéreo do aeroporto. Enquanto o 3054 pousava, outra aeronave recebia autorização para decolar.
De acordo com um dos dos controladores de vôos que acompanhou o pouso da aeronave da TAM, o avião não teria batido no prédio da companhia aérea, mas sim caído sobre o edifício. O técnico afirmou ter visto o piloto arremeter o avião e tirá-lo do chão, o que levou à queda em cima do prédio.
Os controladores do tráfego aéreo afirmam que o procedimento de aterrissagem do vôo JJ 3054 foi feito normalmente e que a aeronave chegou a pousar com sucesso no Aeroporto de Congonhas. Em seguida, uma outra aeronave chegou a ser autorizada a decolar.
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