BRASÍLIA - O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), iniciou ontem os procedimentos para instaurar, em agosto, processo contra o senador Gim Argello (PTB-DF) por suposta quebra de decoro. Argello tomou posse terça-feira na vaga de Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou para evitar ser processado por suposto envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro público.
O corregedor já recebeu dois pedidos de abertura de processo contra Argello, um do PSOL — apresentado terça-feira logo após a posse do senador— e outro dos diretórios regionais do PT, PPS, PDT, PSB e PCdoB, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal (DF), entregue ontem com lista de denúncias documentadas. O corregedor disse que vai anexar os dois pedidos em agosto, quando o Congresso retornar ao trabalho após o recesso.
OPERAÇÃO AQUARELA
Tuma também vai anexar ao processo documentos do inquérito da Operação Aquarela, nos quais constam o nome de Gim Argello. Ontem o corregedor se reuniu com o juiz Roberval Belinati, da 1ª Vara Criminal de Brasília, responsável pelo caso.
A operação foi realizada pela Polícia Civil do DF em maio, contra quadrilha que desviava dinheiro do Banco Regional de Brasília (BRB). O ex-presidente do banco, Tarcísio Franklin, foi um dos presos. O ex-senador Joaquim Roriz é citado nas investigações. A documentação e está sendo analisada pela Polícia Federal (PF).
O dossiê entregue ontem ao corregedor teria subsídios para ajudar nas investigações. Segundo o presidente do PT do DF, o ex-deputado Chico Vigilante, os fatos que geraram as denúncias contra Argello ocorreram entre 1999 e 2007. Ele é acusado, entre outras coisas, de ter lesado o patrimônio público em mais de R$ 19 milhões. Vigilante disse que cópias do dossiê serão entregues também ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Ministério Público Federal (MPF). A assessoria do novo senador atribuiu as denúncias a interesses políticos.
Renan: Nova investigação na Federal
O ministro da Justiça, Tarso Genro, enviou ontem à Polícia Federal pedido do Conselho de Ética do Senado para a realização de perícia nos documentos apresentados pelo presidente da Casa, Renan Calheiros, em sua defesa no processo a que responde por quebra de decoro. Renan é acusado de receber dinheiro de lobista de uma empreiteira.
O pedido da PF inclui uma relação de documentos relacionados com transações de venda de gado de Renan, por exemplo.