
Brasília - Cópias do livro de ocorrências da torre de controle do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, referentes ao dia 16 de julho, véspera da tragédia com o Airbus A320 da TAM, mostram que pelo menos onze pilotos de aeronaves reclamaram das condições da pista principal para os controladores. Os documentos, que foram entregues à CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados de forma sigilosa, foram divulgados na tarde desta terça-feira.
Segundo os documentos, o piloto do vôo 1879 da companhia aérea Gol informou à torre que a pista "não estava grande coisa", com pouca aderência. O piloto de outra aeronave da Gol, que fazia o vôo 1203, reportou que a pista estava "muito escorregadia". Logo em seguida, o comandante do vôo 3006 da TAM disse que a pista estava "bem escorregadia e com aquaplanagem".
Depois disso, o livro de ocorrências mostra que a Infraero solicitou inspeção na pista principal devido aos vários relatos recebidos de pilotos. Após a inspeção, o encarregado informou a ausência de poças ou lâminas de água.
Momentos depois da averiguação da pista, uma aeronave da empresa Pantanal, que fazia o vôo 4763, saiu da pista de Congonhas ao fazer a aterrissagem. Segundo o livro de ocorrências, o avião aquaplanou, derrapando e fazendo uma curva de 180 graus.
Ao ser questionado sobre as ocorrências registradas pela torre de controle pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP), o presidente da Infraero, José Carlos Pereira, desmereceu as informações. "Não estou querendo desqualificar os pilotos e já escorreguei em muitas pistas. No mesmo dia, outros pilotos pousaram na mesma pista, com a mesma chuva e o mesmo vento, dizendo que ela estava muito boa", disse Pereira.
A cópia do livro de ocorrência da torre de controle foi enviada pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, ao presidente da CPI do Apagão Aéreo, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), em caráter sigiloso.
O presidente em exercício da comissão desta terça-feira, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no entanto, com a conivência dos membros da comissão, autorizou a divulgação dos dados para a imprensa.
As informações são de Maria Clara Cabral, do Terra