São Paulo - A Polícia Federal de São Paulo prendeu na manhã desta segunda-feira um dos cinco traficantes mais procurados do mundo, de acordo com o Departamento de Combate às Drogas (DEA) dos Estados Unidos. O colombiano Juan Carlos Ramirez-Abadia, 44 anos, foi preso em um condominio de luxo de Aldeia da Serra, na Grande São Paulo. A polícia americana acompanhou a operação.
Abadia foi surpreendido enquanto dormia. Ele morava no condomínio há dois anos, com a mulher, que também é colombiana. A Polícia Federal apreendeu mais de 150 celulares, uma coleção de relógios de grife importados e mais de US$ 300 mil (aproximadamente R$ 600 mil) em dinheiro vivo.
A prisão de "Chupeta", como é conhecido, ocorreu às 6h30 durante a Operação Farrapos, realizada pela PF em seis Estados brasileiros (SP, RJ, PR, SC, MG e RS). Na manhã de hoje são cumpridos 17 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão somente no Estado de SP.
Treze presos
Após dois anos e meio de investigações, a operação visa desarticular uma organização internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Foram apreendidos ainda quatro veículos e nove armas, e quatro cofres foram lacrados. Além de Abadia, pelo menos outras doze pessoas foram presas.
Os detidos são suspeitos de dar suporte à quadrilha na lavagem do dinheiro adquirido com o tráfico e serão indiciados, além de crime financeiro, por associação para o tráfico de drogas.
Recompensa de R$ 10 bilhões deve ser dada à PF
Abadia é considerado pelos EUA um dos maiores traficantes de cocaína da Colômbia, chefiando o Cartel do Vale do Norte, principalmente a partir da cidade de Cali. Suas atividades podem incluir também o tráfico de heroína e lavagem de dinheiro. O governo dos Estados Unidos oferecia até a manhã desta terça-feira uma recompensa de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 10 milhões) por informações sobre o paradeiro do criminoso.
Como a investigação que levou à prisão dele foi comandada pela Polícia Federal brasileira, o governo americano deve doar o valor da recompensa para a PF com a orientação de que o dinheiro seja usado no combate às drogas.
Acusado por 300 homicídios
Abadia seria um homem extremamente violento e já foi acusado por diversos homicídios na Colômbia, entre eles as execuções de outros traficantes. O colombiano teve a prisão decretada em Nova York e está condenado a 25 anos de cadeia por tráfico internacional e assassinato. “Ele responde por mais de 300 homicídios na Colômbia e a, pelo menos, 15 nos EUA”, diz Fernando Francischini da Polícia Federal.
Agora o traficante colombiano deverá ser extraditado para os EUA. Pelo menos outras dez pessoas foram presas nesta terça-feira, suspeitas de integrar a organização criminosa.
Mais de mil toneladas de cocaína enviadas para os EUA
O traficante é acusado de mandar para os EUA mais de mil toneladas de cocaína nos últimos cinco anos. Segundo a PF, o esquema criminoso em que traficantes colombianos transportavam grande quantidade de entorpecente para a Europa e EUA, cujo lucro retornava ao Brasil, saindo da Espanha e do México, transitando ainda pelo Uruguai. O ciclo da lavagem de dinheiro era completado pela organização, aproveitando-se de investimentos no ramo imobiliário (hotéis e mansões), industrial e na aquisição de veículos.
Patrimônio de R$ 1,8 bilhão
As informações do site do Departamento de Estado americano são de que o patrimônio de Abadia pode chegar a US$ 1,8 bilhão, embora informações indiquem que ele tenha contraído muitas dívidas com outros traficantes. O criminoso montou empresas no Brasil para lavar o dinheiro sujo das drogas. Ele controlava os negócios de casa por telefone e também pela internet.
Procurado do mundo inteiro pela Interpol, o traficante usava várias identidades no Brasil e, para não ser descoberto, fez, pelo menos, três cirurgias plásticas no rosto.