
São Paulo - O superintendente da Polícia Federal (PF) Jaber Makul Hanna Saad disse, na tarde desta terça-feira, que o traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia é sucessor de Pablo Escobar, traficante morto em 1993. Abadia foi preso pela manhã em um condomínio de luxo de Aldeia da Serra, na Grande São Paulo. Ele teria assumido 80% dos negócios de cocaína deixados por Escobar.
Segundo a PF, Abadia acumulou US$ 1,8 bilhão nos últimos dez anos. O colombiano é um dos traficantes mais procurados do mundo, de acordo com o Departamento de Combate às Drogas (DEA) dos Estados Unidos.
Saad disse que as autoridades policiais acreditam que o traficante tenha enviado mil toneladas de cocaína para os Estados Unidos na última década. Ele também seria responsável por 15 homicídios no território americano e pelo menos 300 na Colômbia.
"Há uns dois anos tivemos informação de que o Juan Carlos Ramírez Abadia estaria no Brasil e começamos a fazer uma investigação. Era muito difícil de contatarmos as pessoas que tinham relacionamento com ele", afirmou o superintendente.
O superintendente disse que Abadia fazia lavagem de dinheiro no País, longe de grandes quantidades de droga para não levantar suspeitas. Ele tinha diversos imóveis de luxo e, segundo a Polícia Federal, teria feito diversas cirurgias plásticas para manter-se em segurança no Brasil.
"Imagino que ele sofria uma cirurgia plástica por dia, porque era impressionante como ele conseguia mudar a aparência", disse Jaber Saad.
A PF apresentou um balanço da operação que resultou na prisão de Abadia. Dos 17 mandados de prisão, 13 foram cumpridos e os outros quatro suspeitos estariam na Colômbia. Também foram cumpridas 28 ordens de busca e apreensão.
A polícia apreendeu US$ 544, 250 mil euros e R$ 55 mil, além de seis carros blindados, lanchas, e armas de alto calibre. A PF contou com informações de autoridades dos Estados Unidos, Espanha, Uruguai e Argentina para realizar a operação.
A investigação tramita na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, especializada em lavagem de dinheiro.
As informações são de Vagner Magalhães, do Terra