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15/4/2006 21:48:00

O medo venceu a esperança de atores

Três anos e meio depois da histórica reunião de apoio a Lula, decepção deixa artistas longe da campanha

Paulo Celso Pereira

Rio - A constelação que apoiou a estrela maior do PT em 2002 está dividida em relação ao apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os 400 artistas e intelectuais que em 29 de agosto de 2002 se reuniram no Aterro do Flamengo para apoiar Lula, alguns evitam falar em política, outros, dizendo-se sem alternativa, devem votar nele. Segurar estrela e entrar na campanha, porém, está fora dos planos de parte do grupo.
Dos principais personagens da clássica foto que registrou o encontro, o ator Hugo Carvana é o mais áspero: “Não quero falar sobre política. Não é assunto que passe pela minha cabeça”.

Quem também evita falar é a atriz Zezé Polessa. Dizendo-se decepcionada “como cidadã”, ela garante que Lula não terá seu voto. “Nós artistas acabamos sendo usados, pois como pessoas públicas nossa opinião tem um peso maior”, explica.

A atriz Letícia Sabatella se diz desencantada sobretudo pela “cooptação de parte do governo e do partido por um sistema tão antigo de fazer política”. Mas não encontra alternativa de voto: “Eu me decepcionei, mas não acho que ir para um governo neoliberal seja a solução”.

Funcionários do Ministério da Cultura, o presidente da Funarte, Antônio Grassi, e a coordenadora de teatro da fundação, Cristina Pereira, têm posições parecidas: são reticentes quanto à veracidade das denúncias e vão votar em Lula. “Claro que essa crise me deixa desestruturada, mas ainda acredito no Lula”, diz Cristina, que não trabalhará na campanha.

Grassi conta que viveu “momentos de pesadelo”. Mas pretende atuar na campanha: “A eleição é o momento de colocar os pontos na balança e Lula ainda é a melhor opção para o Brasil”.

Marcos Winter, que faz parte do Conselho de Segurança Alimentar, é crítico, mas esperançoso: “Quando o Lula foi eleito, perdeu a oportunidade de mexer em tudo. Agora, que já fez toda essa imundície, é hora de reverter. É hora de mostrar, nos últimos seis meses de governo, que tem possibilidade de o País ir embora. É só querer”, aposta.

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