Brasília - A Câmara dos Deputados recusou nesta quarta-feira a cassação do deputado José Mentor (PT-SP), recomendada pelo Conselho de Ética da casa. Mentor é o nono deputado que teve a cassação recomendada pelo Conselho de Ética a ser absolvido pela Câmara. Foram cassados os deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias do mensalão, José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). Mentor é acusado de receber, por intermédio de seu escritório de advocacia, R$ 120 mil da empresa de Marcos Valério.
Eram necessários 257 votos para cassar o mandato de Mentor, que acabou beneficiado pelo quorum baixo. Votaram 432 deputados. Foram 241 votos a favor, 175 contra, 8 abstenções, 6 votos brancos e dois nulos. A votação foi secreta, em cédulas impressas.
Segundo Mentor o fato do nome dele não constar na denúncia do procurador-geral, que denunciou 40 pessoas ao STF, por envolvimento no "mensalçao", é a "prova cabal e definitiva" da sua inocência. Ele negou ter recebido qualquer vantagem ou quantia indevida.
Em sua defeda o deputado disse que "é inconcebível que se questione a origem dos recursos, uma vez que todos os procedimentos legais foram seguidos, inclusive o recolhimento de impostos". Mentor citou o primeiro relatório, feito por Edmar Moreira (PFL-MG), que pedia sua absolvição. O texto foi rejeitado pelo conselho Trad apresentou um segundo.
O deputado Nelson Trad (PMDB-MS), relator da representação contra o deputado José Mentor (PT-SP), defendeu a cassação de Mentor. Segundo ele, Mentor não cometeu crime, mas feriu a ética parlamentar ao receber R$ 120 mil da empresa de Marcos Valério, por meio de seu escritório de advocacia quando era relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado.
Com informações da Agência Câmara