Ricardo Villa Verde - rvillaverde@odianet.com.br
Rio - A Polícia Federal vai instaurar, nesta quarta-feira, inquérito policial para investigar quatro empresas que fizeram doações para a pré-campanha à Presidência da República do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, pelo PMDB. A investigação foi pedida nesta terça-feira, pelo Ministério Público Federal do Rio. Também nesta terça, ele informou que vai devolver os R$ 650 mil recebidos anteriormente das quatro empresas.
Os quatro procuradores que assinaram o pedido, cujos nomes não foram divulgados, querem saber se as empresas cometeram crime de falsidade ideológica, por apresentarem como sede endereços supostamente falsos, no município de Rio Bonito. Há suspeitas também de sonegação fiscal. Por enquanto, as investigações serão concentradas apenas nas empresas. Garotinho não foi citado no pedido dos procuradores.
Garotinho disse que apóia a investigação. “Tudo que vier para esclarecer a verdade é muito bom. Quem não deve não teme”, afirmou, em Santos (SP), onde participou de um ato de apoio à sua pré-candidatura.
SÓCIO PRESO
O Ministério Público decidiu pedir as investigações, depois da revelação de que uma das empresas, que doou R$ 50 mil ao PMDB do Rio — Virtual Line Projetos e Consultoria de Informática Ltda —, teria como sócio o assaltante José Onésio Rodrigues Ferreira, que está preso no complexo penitenciário de Bangu. Onésio foi condenado pela 21ª Vara Criminal do Rio a cinco anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, por assalto cometido em janeiro de 1991, na área da 14ª DP (Leblon). Ele foi preso em fevereiro, por acaso, ao se envolver em uma confusão em São Cristóvão, onde era dono de uma banca de jornal.
Segundo Garotinho, quando a Virtual Line fez a doação à comissão do partido, em 17 de fevereiro, Onésio não era mais sócio. “O proprietário que doou o dinheiro comprou a empresa. O fato de ela ter pertencido a um presidiário não era de conhecimento da comissão”, explicou o ex-governador.
Uma nota divulgada ontem pelo presidente da empresa, Luiz Antonio Motta Roncoli, no entanto, contradiz a afirmação. A nota diz que Onésio saiu da sociedade em março, portanto, um mês após ele ter sido preso e após a data da doação registrada no página de Garotinho na Internet (www.anthonygarotinho.com.br).