Rio - O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, prossegue com a sua greve de fome. No terceiro dia de jejum, seu quadro clínico é estável e ele perdeu até agora cerca de 1,3 kg, segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira.
Ele permanece numa sala da sede regional do PMDB, no centro do Rio, onde recebe visitas de amigos e da família e pode ser observado por uma porta de vidro, mas não fala com os jornalistas. Garotinho se diz "perseguido" e queixa-se de falta de espaço na imprensa para se defender das denúncias de irregularidades em sua pré-campanha.
O pré-candidato do PMDB à Presidência criou uma espécie de 10 mandamentos para sua greve de fome. Num papel, visto através da porta de vidro que separa a sala onde o ex-governador do Rio jejua e a imprensa, era possível enxergar a lista de afazeres durante o protesto.
O primeiro é divulgar uma nota por dia; segundo, atos dos prefeitos; terceiro, pronunciamentos na Câmara/Senado; quarto, notas para jornalistas; quinto, movimentos na rua contra as Organizações Globo; sexto, nota de aliado (nome ilegível); sétimo, movimento de evangélicos; oitavo, desmentir (as denúncias) ponto a ponto; nono, processo contra a (revista) “Veja”; décimo, publicar carta.
Nesta segunda-feira, em São Paulo, o presidente do PMDB, Michel Temer informou que a decisão de Garotinho fazer greve de fome não envolve o partido. “É uma questão de foro íntimo do ex-governador. Ele não consultou o partido nem a mim”. Mais cedo, Temer considerou a atitude inadequada porque prejudica a unidade do PMDB.
A greve de fome do pré-candidato do PMDB à Presidência Anthony Garotinho foi criticada por religiosos. Eles avaliam que o ex-governador está usando de má-fé para desviar o foco das acusações feitas contra ele. “Não é uma atitude de um verdadeiro cristão. Se está se sentindo injustiçado, deve provar sua inocência”, disse o pastor Messias Inocêncio Oliveira, da 1ª Igreja Batista da Penha. “Gosto de política, não de politicagem. Quando é de Deus, você não pode ter jogo”, afirmou o pastor Odalírio Luís da Costa, da Igreja Congregacional de Acari.
Entre os católicos, também reprovação. Para o coordenador do Centro dos Direitos Humanos de Nova Iguaçu, padre Pierre Roy, “não há as motivações essenciais de uma greve de fome”.
O futuro de Garotinho
Segundo coluna de Dacio Malta, a governadora do Rio já comunicou a alguns amigos que poderá interromper a greve de fome de Garotinho, no momento em que receber qualquer sinal de risco de vida. Ela ficou deprimida com a decisão e, na tarde do anúncio, estava mais abatida do que o próprio marido.
Garotinho estaria em um beco sem saída. Não comunicou nem consultou qualquer das instâncias do partido, em nível nacional, antes do gesto. Dia 13, o PMDB deverá sepultar a tese da candidatura própria, o que não impede que alguns aliados ainda se interessem pela saúde do ex-pré-candidato e tentem convencê-lo a suspender o ato.
Com informações da CBN