Rio - O ex-governador Anthony Garotinho encerrou nesta quinta-feira a greve de fome que fazia há onze dias contra as denúncias publicadas pela imprensa de irregularidades cometidas na pré-campanha dele à presidência da República. Por decisão médica, porém, ele deve permanecer internado até sábado no hospital Quinta D´Or, em São Cristóvão.
A decisão, anunciada durante entrevista coletiva concedida à tarde, foi tomada depois que ele obteve na Justiça o direito de resposta no jornal "O Globo" e na revista "Veja". As duas publicações devem cumprir imediatamente a determinação judicial, sob pena de pagarem multas diárias de R$ 35 mil e R$ 50 mil, respectivamente.
"Quando iniciei a greve de fome, havia dito que estava fazendo isso em defesa da minha honra, que tinha sido atacada de forma cruel e desonesta", disse. "Hoje considero que a minha honra está sendo lavada pela Justiça".
A 31ª Vara Cível Estadual obrigou a "Veja" a ceder a capa e oito páginas da próxima edição para Garotinho rebater as denúncias veiculadas contra ele. Caso não cumpra a determinação, a revista pagará multa de R$ 50 mil por dia. De acordo com o juiz Carlos Eduardo Moreira da Silva, a revista que circulou no dia 3 de maio com reportagem de capa intitulada “Os 7 pecados capitais da política” "não teve o mínino cuidado para resguardar os direitos constitucionais do autor, não traduzindo toda a verdade dos fatos".
“A matéria publicada pela ré não teve o mínino cuidado para resguardar os direitos constitucionais do autor, não traduzindo toda a verdade dos fatos, de modo a ensejar o direito de resposta ora pleiteado”, afirmou o juiz.
Já o jornal "O Globo" terá que destinar para a réplica do ex-governador uma chamada na capa e o mesmo espaço da matéria "Garotinho usou avião de bandido", do dia 30 de abril. Em caso de descumprimento, pagará R$ 35 multa por dia.
A sentença da juíza Fernanda Sepúlveda Telles, da 18ª Vara Cível, entende que existem documentos no processo que comprovam que a aeronave em que ele viajou estava arrendada pela empresa Construfert Ambiental, e que seus sócios não conheceram ou mantiveram contato com João Arcanjo Ribeiro, chefe do crime organizado no Mato Grosso.
Garotinho confirmou que estará em Brasília no sábado para a convenção do PMDB, na qual será decido se o partido terá candidato próprio à presidência da República.
O pré-candidato negou ter usado verba pública em sua campanha política. Segundo ele, ao saber que diretores de organizações que recebiam verba do estado também eram sócios de empresas doadoras de sua campanha, determinou a devolução dos R$ 650 mil recebidos. Não por se tratar de um problema legal, mas de "ordem moral".
O deputado estadual Alessandro Molon (PT) disse que que vai entrar na Justiça para garantir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa do Rio. O deputado afirmou ter consegudo o número mínimo de assinaturas para viabilizar a comissão, mas o presidente da Assembléia, deputado Jorge Picciani (PMDB), adiantou que a CPI não será instalada.