São Paulo - A onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) continuou na noite desta segunda-feira e o total de ações passou de 100. A maioria dos atentados ocorreram no interior de São Paulo. Mais quatro suspeitos morreram em confronto com a polícia. Em Osasco, outros quatro suspeitos foram presos. Na capital, a madrugada foi tranqüila e, aparentemente, houve uma trégua. Os ônibus já circulam normalmente.
Desde o início da terceira série de atentados, na noite de domingo, pelo menos seis suspeitos foram mortos e 12 foram presos. O número de ônibus incendiados subiu para 41. A polícia ainda não divulgou um balanço atualizado dos ataques.
Na noite desta segunda-feira, em Limeira, homens armados atacaram uma delegacia, o prédio de um jornal e o prédio da Receita. De acordo com a PM, os criminosos atiraram contra o prédio da Receita Federal e logo depois a fachada da TV Jornal de Limeira foi atingida por tiros. Meia hora mais tarde, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) foi alvo de atiradores também.
Em Campinas, também na noite desta segunda, criminosos atacaram a tiros a fachada do 11º Distrito Policial, no Jardim Ipaussurama. Em Indaiatuba, ocupantes de um veículo lançaram coquetel molotov contra um caixa eletrônico do Banco Itaú, ao lado de um posto de gasolina, no Jardim Morada do Sol. Minutos depois, a sede do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), no centro da cidade, e uma viatura da PM foram alvejadas.
Durante a madrugada, no Sumaré, região de Campinas, incendiários lançaram coquetel molotov contra o prédio da Câmara Municipal; quatro homens encapuzados, atearam fogo em um ônibus da Viação Boa Vista, por volta das 22h, em Hortolândia, também na região de Campinas. E em mais um ataque, criminosos em uma moto metralharam as portas de vidro de uma agência bancária do Unibanco na região central da cidade.
Em Piracicaba, um ônibus da Viação Paulicéia foi incendiado, no Jardim Itapuã. No final da noite, uma base fixa da Guarda civil Municipal foi alvo de atiradores. Segundo a polícia, dois homens em uma moto pararam em frente à base, que fica na Avenida Raposo Tavares, na Paulicéia, e começaram a disparar.
Na madrugada desta terça-feira, quatro ataques foram registrados na cidade de Araraquara. Por volta da 0h30, um homem armado efetuou cinco disparos na porta do antigo prédio do Fórum da Infância e Juventude, que está desativado. Mais tarde, um coquetel molotov destruiu parcialmente a agência do Banco Brasil localizada na Alameda Paulista. Às 4h da manhã, três homens armados invadiram um ônibus circular da cidade conhecido como Corujão e efetuaram cinco disparos, ordenando que todos os passageiros e motorista descessem. O coletivo foi incendiado em seguida e os criminosos fugiram.
Por volta da 1h30 desta madrugada, criminosos lançaram coquetel molotov contra o departamento pessoal da sede da Prefeitura de Miguelópolis. Apenas o vigia estava no local. O bando entrou pelos fundos e jogou o artefato pela janela da sala. O fogo se alastrou rapidamente e destruiu todo o setor, mas ninguém ficou ferido. O mesmo grupo também lançou um artefato no prédio da Igreja Internacional da Graça de Deus, próximo à Prefeitura. Como a cidade não possui Corpo de Bombeiros, os incêndios foram controlados pelo caminhão-pipa da prefeitura e de uma usina da região.
No final da noite desta segunda, a Base Comunitária do Parque São Francisco, de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, foi atacada. Cerca de 15 bandidos atiraram contra as paredes da base. Alguns dos disparos teriam atravessado a base e atingido uma padaria do outro lado da rua, que ainda estava aberta. Segundo testemunhas, não houve vítimas.
Mais tarde, dois bandidos armados e com coquetéis molotov atearam fogo em dois ônibus, um na Vila Olímpia, Zona Sul, e outro em Pereira Barreto, Zona Norte.
Nesta terça-feira, o rodízio de veículo está mantido. E apenas uma empresa, a da Viação Nova Aliança, em Cidade Tiradentes, na Zona Leste, não tirou os ônibus da garagem. Neste momento, a situação segue normal, e os ônibus desta empresa já circulam pelas ruas.
O governo paulista informou que foram suspensas as férias e folgas de policiais civis e militares. Pela manhã, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, afirmou que só aceitará tropas do Exército no estado se os militares ficarem subordinados a ele.
Com informações da CBN