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10/8/2006 00:21:00

Militares a postos para agir

Ministro da Defesa diz-se perplexo com recusa de ajuda em SP: população é quem vai decidir

BRASÍLIA - O governo federal fez ontem uma reunião no Ministério da Justiça para discutir uma possível intervenção no Estado de São Paulo para conter os ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O ministro da Defesa, Waldir Pires, saiu dizendo-se perplexo com as recusas do governo paulista em aceitar ajuda federal e anunciou que quem vai definir se haverá ou não intervenção são os moradores do estado. “A população de São Paulo é que vai ter a palavra decisiva”, disse o ministro.

Durante o encontro, foram apresentadas mudanças no plano de contingência para o caso de haver necessidade de emprego da força. Os ajustes no documento, que traz definições de como o Exército deverá agir, foram feitos com base nos novos ataques, iniciados na madrugada de domingo.

RESULTADO DE AÇÕES

Representantes da Polícia Federal apresentaram resultados de operações realizadas, incluindo bloqueio ao tráfico de droga, uma das principais fontes de financiamento das facções criminosas. Já a Polícia Rodoviária Federal anunciou que recentemente apreendeu 100 mil cartuchos de balas que seriam entregues a representantes do crime organizado.

Participaram da reunião o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, os comandantes do Exército, general Francisco Albuquerque; da Marinha, almirante Roberto de Guimarães; da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno; o subchefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Wellington Fonseca; o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda; o diretor da Polícia Rodoviária Federal, Hélio Derene; o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa; e o diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Maurício Kuehne.

Paulistanos favoráveis ao Exército

Até as 16h de ontem, 67% dos 1.658 paulistas que responderam pela Internet a enquete do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ se disseram favoráveis à presença do Exército para reforçar a segurança contra o PCC.

Entre os que apóiam o envio de tropas, 37,79% das 1.593 pessoas gostariam de ver os soldados cuidando do policiamento nas ruas, o que demonstra a falta de confiança na polícia do estado. A segurança nos presídios e a ocupação da favelas — tarefas indicadas pelo secretário de Segurança, Saulo de Castro, como ideais para o Exército — ficaram em segundo e terceiro lugares, com 31,3% e 20,9%. Outros 159 leitores, 9,9% dos que responderam, gostariam da presença dos soldados em outras tarefas.

Em uma outra questão da enquete, 1.163 leitores de um total de 1.661 disseram que o governo de São Paulo falhou em não conseguir evitar essa terceira onda de ataques. Já 1.043, de 1.667, culpam o governo federal pela onda de violência.

“Com os presídios nas mãos do Exército o rigor seria imposto”, opinou o internauta Roberto Dotta, para quem a presença dos soldados seria fundamental.

Bate-boca entre União e o estado

O governador de São Paulo, Claudio Lembo, voltou a recusar ontem a ajuda de tropas federais. “Agradeço a solidariedade do presidente Lula”, disse, após encontro com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Lembo contrariou afirmações do seu secretário de Segurança, Saulo de Castro, que domingo disse crer que o PT pode estar vinculado aos ataques.

Lula rebateu as acusações de Saulo dizendo que o secretário, em vez de falar, deveria perceber que houve falha no sistema prisional estadual. “Ele deveria ser mais sensato na hora de abrir a boca. Poderia, pelo menos, tirar o telefone celular dos presos”, disse o presidente.

Lembo negou que as pressões pela aceitação das tropas sejam acentuadas amanhã, com a presença de Lula em área do Comando Militar do Sudeste. Sobre a liberação dos R$ 100 milhões para a área de segurança por parte da União, o governador disse que o valor “é pouco”, mas será suficiente.

Ontem, Carlos Wilson, da coordenação de campanha do PT disse que PFL e PSDB “estão se formando na escola do PCC”.

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