Rio - A futura administração do estado já trabalha com a possibilidade de contar com recursos do governo federal para tocar o caixa nas primeiras semanas de governo. A revelação foi feita pelo futuro secretário de Fazenda, Joaquim Levy, que chegou ontem dos Estados Unidos, onde era vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, para participar da reunião do secretariado de Sérgio Cabral Filho e do seminário sobre gestão realizado no Tribunal de Contas do Estado.
"O ministro (da Fazenda) Guido Mantega está analisando uma possibilidade de nos ajudar nessas primeiras semanas. Mas espero que não seja necessário", afirmou Levy, sem querer detalhar como seria realizada a operação de socorro. Há semanas, o futuro governador e membros importantes de sua equipe vêm se declarando preocupados com a situação financeira do Rio e até a possibilidade de não haver recursos para o pagamento da folha salarial de dezembro dos servidores do estado — realizado nas primeiras semanas de janeiro.
Levy, que também foi secretário do Tesouro Nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também explicou como será sua linha de ação no governo Cabral. Seu objetivo será organizar a máquina e a gestão dos recursos. "Sem planejamento, os gastos são feitos na correria e tudo acaba ficando mais caro", afirmou. O futuro secretário da Fazenda negou que vá aumentar a carga tributária.
SEM INFORMAÇÕES
"Podemos administrar bem os recursos que dispomos sem aumentar a carga tributária. Ninguém agüenta pagar mais imposto", disse.
Antes de participar do encontro com seus secretários, Cabral voltou a reclamar da falta de informações sobre a situação financeira do estado. "Se me perguntar quanto tem no caixa do estado, só poderei responder no dia 2 de janeiro. Há ausência completa de informações sobre a tesouraria do estado", disse.
O atual secretário de Receita e futuro presidente do Detran, Antonio Francisco Neto, afirmou que o estado arrecadou R$ 1,45 bilhões em dezembro, sendo R$ 200 milhões apenas quinta-feira.
Gestão é tema de seminário
Sérgio Cabral Filho e todos os seus secretários debateram temas como gestão pública, contenção de despesas e o corte de 30% dos custeio do estado no próximo ano. Durante o seminário promovido no auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), técnicos do Banco do Brasil realizaram exposição sobre as possibilidades de parceria com o estado. Outra palestra foi promovida pelo professor Vicente Falconi, presidente do Instituto de Desenvolvimento Gerencial, que prestou assessoria ao gabinete de transição de Cabral. Os secretários de Fazenda, Joaquim Levy, e de Planejamento, Controle e Gestão, Sérgio Rui Barbosa, também mostraram quais serão as primeiras medidas administrativas.