Mineiros (GO) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um trocadilho nesta terça-feira com o nome do colega russo Vladimir Putin. Ao comentar a repercussão de um protesto ocorrido quando a Rússia embargou a importação de carne brasileira por causa da febre aftosa, Lula disse que o presidente russo ficou "meio putin". A declaração foi feita durante a inauguração do Complexo Industrial da Perdigão em Mineiros (Goiás).
"Eu estava em Chapecó fazendo um debate, uma vez, e o cidadão mais bravo, o que mais xingava o governo era um cidadão que tinha dado uma declaração, lá em São Paulo, dizendo que não tinha problema com os russos, porque eles corrompiam o governo russo. Aquilo saiu na primeira página do jornal. Certamente, o embaixador russo recebeu; certamente, mandou para o presidente Putin, e certamente o Putin ficou meio “putin” com o Brasil", disse.
Em vez de defender o superávit comercial do Brasil, Lula ressaltou que é preciso haver "equilíbro" no comércio entre as nações. "O Brasil é um grande exportador de vários produtos, e quando a gente começa a exportar muito, nós começamos a arrumar adversários, começam a aparecer pessoas querendo colocar casca de banana no nosso caminho para que a gente não consiga exportar tudo que a gente quer", declarou.
"Muitas vezes a gente tem a impressão que só nós temos que vender. Mas também, cada vez que a gente vai vender um produto, as pessoas querem vender um produto para nós. E se um país tem um superávit muito grande na balança comercial, com outro, isso termina não sendo benéfico na ajuda do comércio exterior. É preciso que haja um equilíbrio", emendou.
Lula disse ainda que o Brasil tem "uma coisa nata" de transferir responsabilidades na hora das desgraças. "Quando faz seca, é a desgraça do governo que é o culpado. Quando chove, eu não vi uma passeata agradecendo a chuva. Por que? Porque nós temos um prazer de fazer transferência de responsabilidade com as desgraças, como nenhum outro povo tem", assinalou.
Para o presidente, os usineiros de cana, "que há dez anos eram tidos como se fossem os bandidos do agronegócio", estão virando "heróis nacionais e mundiais", porque todo mundo está de olho no álcool. "E por quê? Porque tem políticas sérias. Antigamente, vocês estão lembrados quando a gente tinha 90% de carros a álcool e, de repente, não tinha mais álcool no posto de gasolina porque o açúcar subia no mercado internacional e então, não se produzia mais álcool, se produzia apenas açúcar. Se não for política responsável, ninguém acredita", disse.
Lula encerrou o discurso parabenizando a Perdigão. "Espero que a Sadia fique com inveja e faça uma fábrica maior em outro lugar", concluiu.