São Paulo - No Dia das Mães, o Papa Bento XVI defendeu ontem a família e pediu que o Estado apóie as mulheres que decidirem dedicar-se somente à criação dos filhos. Em seu último dia no Brasil, o Santo Padre criticou o machismo e voltou a atacar o aborto, as leis que permitem o uso de anticoncepcionais e a adoção de crianças por casais homossexuais.
“O papel da mãe é fundamental para o futuro da sociedade”, declarou o Papa no discurso que abriu a 5ª Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), em Aparecida, São Paulo. Mais cedo, missa no pátio da Basílica de N. Srª Aparecida reuniu 150 mil pessoas — menos de um terço do esperado.
“A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação dos filhos. As mães que querem dedicar-se plenamente à educação dos seus filhos e ao serviço da família devem gozar de condições necessárias para poder fazê-lo e, para isto, têm o direito de contar com o apoio do seu Estado”, defendeu Bento XVI.
Surpreendendo os religiosos na Celam, ele atacou o machismo. “Em algumas famílias da América Latina persiste a desgraça da mentalidade machista, ignorando as condições do cristianismo, que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher e do homem”, criticou.
O Santo Padre cobrou presença mais ativa do pai na família. “O pai deve ser verdadeiramente pai, que exerce sua responsabilidade indispensável e a colaboração na educação de seus filhos”. Ele criticou o direito de adoção de crianças por casais do mesmo sexo: “Os filhos, para seu crescimento integral, têm o direito de poder contar com o pai e com a mãe”. Conclamou também os jovens a não temer o sacrifício e a resistir às tentações “da felicidade imediata e dos paraísos enganosos da droga, do prazer e do álcool”.
O público na primeira atividade de Bento XVI ontem ficou abaixo do esperado. Cerca de 150 mil fiéis assistiram à celebração ao ar livre na Basílica de Aparecida — a expectativa era de 500 mil. O clero também deixou a desejar: 500 cadeiras ficaram vazias ao lado do altar, uma das alas vip destinadas a convidados. Os padres teriam sido barrados pela segurança porque não tinham credenciais.
DOIS MIL PASSAM MAL
Apesar do comparecimento de fiéis abaixo da expectativa, a missa foi explosão de fé. Romeiros de todas as partes do Brasil e de países latino-americanos saudaram o pontífice com gritos de “Bento! Bento!”. Duas mil pessoas foram atendidas nos postos médicos durante a manhã.
Os fiéis começaram a chegar na noite de sexta-feira. Para a aposentada Benta Maria de Souza, 84 anos, valeu a pena o sacrifício. Ela chegou às 21h de sábado. “Vim pedir uma graça”, disse ela, que tem 18 netos. Benta passou a noite com grupo de 52 pessoas de Florianópolis.
Na homilia de 22 minutos, Bento XVI foi aplaudido duas vezes. A primeira quando mencionou o Papa João Paulo II. A segunda, ao chamar Aparecida de “coração mariano do Brasil”.