Ricardo Villa Verde e Pedro Landim
Rio - As acusações sobre as deficiências nos hospitais do município e do estado deram o tom da disputa pela Prefeitura do Rio ontem. Solange Amaral (DEM) partiu para o ataque contra Eduardo Paes (PMDB), com uma visita ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, para gravar acusações que serão exibidas no horário eleitoral gratuito. Jandira Feghali, do PCdoB, culpou a prefeitura e governo do estado pelo que chamou de ‘vazio sanitário’ na Zona Oeste, criticando a falta de postos de saúde na visita que fez ao Hospital Rocha Faria, em Campo Grande.
A ofensiva do DEM começou cedo, com a mala-direta pela Internet do prefeito Cesar Maia, entitulada ‘ex-blog’, chamando as Unidades de Pronto-atendimento (UPAs) criadas pelo governo do estado de ‘postos de lata’, com acusações de irregularidades na contratação de cooperativas e de falta de licitação para a construção. Solange foi a campo, chamando funcionários para falar, diante das câmeras, sobre salários baixos e a falta de equipamento.
“Acabei de ver o caos”, disse a candidata, ao sair da unidade, afirmando que encontrou aparelhos quebrados, pessoas nuas e largadas pelos corredores. “Em época de campanha, promete-se muito. As pessoas precisam se responsabilizar pelo que têm”, disse, atacando Eduardo Paes e as UPAs: “Gastaram R$ 24 milhões para montar os postinhos de lata e deixam os hospitais em calamidade”, afirmou.
REDE MUNICIPAL
Informada de que há posto de saúde da prefeitura abandonado há oito anos em Realengo, Solange respondeu com promessa de novos postos, além de um Hospital da Mulher e duas maternidades na Zona Oeste.
Eduardo Paes, que cresce nas pesquisas, evitou o confronto. Em almoço com empresários de transporte de cargas, defendeu as UPAs, afirmando que a contratação de cooperativas pelo estado — uma das críticas do ‘ex-blog’ — “se fez necessária pela urgência”. E avisou que vai fazer concursos públicos para as próximas contratações.
Alessandro Molon também atacou. Segundo o petista, o Tribunal de Contas do Município constatou que o prefeito abriu mão de R$ 12 milhões federais que poderiam ser usados em pacientes dos hospitais cariocas. O repasse não teria sido feito porque o prefeito deixou de cadastrar os doentes em programas do Ministério da Saúde.