Obra será lançada amanhã, dia da leitura do processo de cassação na CCJ
BRASÍLIA - O livro da jornalista Mônica Veloso, ‘O poder que seduz’, em que conta minúcias do romance que teve com o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros, foi tratado com ironia ontem por vários senadores. O lançamento foi marcado para amanhã, mesmo dia em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) apresenta o processo que pede a cassação de Renan por suposto uso de ‘laranjas’ para comprar rádios e rede de televisão em Alagoas.
Integrante da tropa de choque que defende Renan, Wellington Salgado (PMDB-MG) não perdoou: “O Renan já cumpriu a via-crúcis dele. Acho que para a Mônica vai ser bom: vai ganhar dinheiro, vai sustentar a filhinha, vai comprar uma papinha melhor. Está certa, tem de aproveitar o momento, depois vai publicar o livro quando? Daqui a uns seis meses não vende mais”, ironizou. Outro defensor de Renan, o Paulo Duque (PMDB-RJ) completou: “Essa aí vai passar que nem vento”.
Os integrantes da oposição preferiram se resguardar. Heráclito Fortes (DEM-PI) leu trechos do livro já divulgados, mas acha que não vai haver repercussão. “Não tem novidade para um casal. Eu não vou ler. Vou pedir para minha assessora ler e resumir para mim”, disse.
Os senadores não acreditam que a publicação influencie na votação de amanhã. “Temos de analisar os fatos. E eles dizem respeito à compra de rádios em Alagoas”, acrescentou Eduardo Suplicy (PT-SP). A expectativa é que, se aprovado na CCJ, o pedido de cassação seja apreciado em plenário já na próxima semana.