Candidata do PCdoB diz estar pronta para mudar o Rio. Cheia de planos e projetos para ser a primeira mulher a governar a cidade, a médica e deputada federal promete revolucionar a gestão municipal
Rio - Terceira colocada na corrida à Prefeitura do Rio, a candidata Jandira Feghali (PCdoB) aposta nos eleitores indecisos para conquistar o Palácio da Cidade, ou, ao menos, chegar ao segundo turno. E, caso chegue, acredita que terá o apoio dos adversários da esquerda e do PT. “Tem 20 anos que a gente apóia as candidaturas do Lula”, diz, referindo-se às sucessivas tentativas do petista de chegar à Presidência. Médica, ela sonha em proporcionar à população um atendimento sem filas e sacrifícios. Sabe que a tarefa de governar a cidade não é fácil, mas não lhe falta disposição, garante.
Qual a sua estratégia para conquistar a prefeitura ou garantir um lugar num eventual segundo turno? O número de indecisos no Rio é o maior do Brasil. Temos em torno de 60% entre não sei, nulo e branco. A eleição está longe de estar definida. Agora, nossa ocupação de campanha é a de marcar a diferença. Temos que demonstrar o que nos diferencia dos outros e intensificar a campanha na rua e manter boa estratégia de TV. Está na hora de a gente fazer a diferença, do eleitor entender quem está concorrendo, a história real de cada um, quais são seus vínculos, biografia e capacidade de realizar.
E como lutar contra campanhas ricas e com mais tempo de TV? Não vamos ter campanha milionária como alguns candidatos estão tendo. Em campanhas milionárias a resposta depois é para quem financiou, e não para o povo.
Acredita que os partidos de esquerda vão se unir em torno da Jandira caso a senhora chegue a um eventual segundo turno? Sim. Vai juntar. Acredito nisso porque os ventos no Brasil foram mudando. Não é possível que o Rio não acompanhe esses ventos.
Mas não vem acompanhando nos últimos anos... Mas é outro momento do Brasil e do Rio. As pessoas estão esgotadas do que estão vivendo aqui. As pessoas querem de fato mudar. E para mudar de fato não adianta votar mais no mesmo, mesmo que com outras candidaturas. Tenho certeza de que a esquerda se unifica no segundo turno. Essa é a minha expectativa. Não é possível que a gente não tenha responsabilidade com essa cidade, de fazer aqui um projeto que se volte para o povo.
E o PT? Tem 20 anos que a gente apóia todas as candidaturas do Lula no PT. Então, tenho convicção de que, no segundo turno, o PT venha conosco pelo histórico, pela unidade política que a gente construiu e pelo esforço que nós fizemos. Para buscar unidade, tiramos a candidatura do Aldo Rebelo em SP para apoiar a da Marta Suplicy (PT). Fizemos em Recife e Salvador. Então, o esforço que fizemos não é pequeno.
Como médica e prefeita, o que fará pela Saúde ?(Antônio Viana, comerciário) A marca da minha gestão será acabar com as filas. Queremos chegar a marcar, em 8 dias, consultas e exames.Vamos fazer o Cartão Carioca de Saúde para marcação de consultas e exames por telefone, por computador, na subprefeitura. Planejamos gastar 23% da arrecadação municipal com Saúde contra o mínimo constitucional de 15%. O cartão carioca de saúde vai viabilizar o prontuário eletrônico. E vamos fazer o Viva Saúde Bairros, um programa de saúde da família que vamos colocar, já em 2009, em 16 áreas carentes, atendendo 1,2 milhão de pessoas. E vamos colocar três turnos de funcionamento nos postos de saúde. Nos postos 24h, precisamos ter algumas especialidades de urgência e, por isso, estamos chamando de Policlínica 24h, que serão 30. E tem que ter a rede hospitalar funcionando. Temos que ter uma rede integrada e a prefeitura precisa comandar o sistema. Assim, vamos contratar o estado e os serviços federais, os hospitais universitários e o setor privado complementar, mas quem comanda sou eu. Teremos central de regulação de internação de vaga e de consulta. E temos proposta até para tratamento de dependentes químicos, além de atenção especial com a maternidade e tratamento de crianças com doenças crônicas.
Como custear tudo isso? Para 2009, a prefeitura tem R$ 1,8 bilhão previsto para a Saúde.
O que fará para reorganizar o Remédio em Casa. Hoje, doentes se queixam que recebem os remédios, mas não têm consultas regulares (Jefferson Sant’Anna, cardiologista do Hospital Geral de Bonsucesso) É importante manter e ampliar o programa. Mas é importante que se receba o remédio em casa. É importante se ter os remédios e tem que ter a consulta regular, principalmente para hipertensão, diabetes e outras doenças.
Quais seus planos para o desenvolvimento das creches municipais e conveniadas? (Bertha do Vale, educadora da Uerj) Temos deficiência de creches na cidade. E isso tem que ser preocupação central para nós. Vamos começar implantando atendimento de saúde. Depois, o projeto é a capacitação permanente dos profissionais da Educação Infantil. E temos que contar com a ajuda das universidades para reforçar a possibilidade de se ter um atendimento multiprofissional. Afinal, a creche precisa ter nutricionista, psicóloga, pedagogo e tudo isso é um processo de investimento.
Qual o seu plano para o Ensino Fundamental? A progressão continuada em ciclos ganhou o carimbo de promoção automática porque passa sabendo ou não sabendo. Já, por outro lado, o contraponto da chamada promoção automática também não pode ser a reprovação. Queremos que as crianças aprendam para passar de ano, mas também não queremos reprovar todo mundo. Queremos intervir aí, no sentido de qualificar essa escola com novo processo pedagógico, inclusive com acompanhamento. Haverá um novo projeto pedagógico para que a gente garanta nem a aprovação automática e nem a reprovação automática, mas o aprendizado real para as crianças. A avaliação tem que ser permanente. Agora, a partir de uma determinada idade, onde a tensão da prova já possa ser posta, aí é prova mesmo. Eu elimino a aprovação automática. Mas queremos recuperar o tempo integral do aluno na escola. O tempo integral tem que ser complementado com esporte, cultura e com a superação da exclusão digital. Vamos precisar fazer isso nas escolas.
O que fará para melhorar a vida das mulheres? Se melhoro a infra-estrutura das políticas públicas, eu alivio muito a vida das mulheres. Além disso, precisamos gerar oportunidade de emprego de qualidade para elas. Vamos direcionar uma política de qualificação para as mulheres e gerar uma linha de crédito específica para a chefe de família.
Como melhorar o Centro do Rio? (Dalva Gonçalves, funcionária pública) É possível recuperar 10 mil residências entre a região portuária e a Lapa. Temos que voltar as pessoas para a área de infra-estruturada da cidade. Além de iluminar e limpar a região, é preciso ordenar o espaço público com democracia. A Guarda Municipal não tem que bater em ninguém, tem que atuar na prevenção. É preciso revitalizar o Centro de dia e de noite. O carioca não tem medo de praça cheia, tem medo de praça vazia.
O que fazer para melhorar a Segurança? (José de Arimatéia, porteiro) Segurança para mim se chama inteligência, repressão e intervenção. Hoje, no Rio, temos uma política genocida em que o confronto é feito sem inteligência e o resultado é morte de inocente civil e morte de policial. Lamento termos chegado a essa situação de feudos da milícia e do tráfico intimidando trabalhadores de favelas e comunidades. Milícia é falta de ação institucional. A milícia hoje existe por permissão, há uma permissividade dos dois governos, tanto do estadual quanto do municipal. Temos que enfrentar isso com a corregedoria, o comando da polícia e o governo do estado. E o que cabe a prefeitura, fazer a prevenção com inteligência. A prefeitura tem que ir para o gabinete de gestão. E nesse processo temos que entrar com políticas públicas. E a Guarda, usada na prevenção dos crimes, tem que cuidar das pessoas. Tem que ser a corporação querida do Rio.
Como melhorar o transporte em Santa Teresa? (Airton Farias, comerciário) Moro lá. E digo que ali tem que ser o microônibus e o bonde, que precisa ser municipalizado e integrado ao sistema do bilhete único.
A senhora teria uma política com o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura para permitir que engenheiros e arquitetos pudessem trabalhar em comunidades? (Reinaldo Barros, presidente do Crea-RJ) A questão da engenharia social para dar assistência técnica para comunidades é fundamental. O Crea é um órgão importante para ter uma parceria imediata.
O que planeja para a área dos transportes? Temos que ter regras claras com o setor empresarial. O transporte principal é o trem. Então, vamos liderar o processo e fazer com que a Supervia transforme seus ramais em metrô. E estamos propondo que a ligação Zona Norte- Zona Oeste e Barra-Lepoldina não seja por corredor de ônibus, mas, sim, por trilhos. É uma decisão que não polui. Em Porto Alegre, por exemplo, já existe a tecnologia movida a ar. São trens sobre um viaduto pré-moldado que não fura nada. E vamos trabalhar o bilhete único. Também é preciso legalizar o transporte alternativo e licitar as linhas de ônibus da cidade.