Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem uma resposta aos defensores da internacionalização da Amazônia como forma de conter o desmatamento. Na abertura do 20º Fórum Nacional, no BNDES, no Rio, Lula frisou que a parte da floresta em território nacional pertece ao povo brasileiro e que não abre mão da soberania sobre a área. Ele afirmou que é preciso não só conter a devastação, mas também cuidar do sustento da população amazônica.
A discussão sobre uma gestão internacional da Amazônia voltou à tona depois que o jornal ‘The New York Times’ publicou dia 18 artigo com o título ‘De quem é a Amazônia, afinal?’. Lula foi enfático: “A Amazônia brasileira tem dono e o dono da Amazônia é o povo brasileiro”. O presidente ressaltou que a região tem quase 25 milhões de habitantes, entre índios, seringueiros e pescadores, que dependem do desenvolvimento econômico. “Por que essas pessoas têm que ficar segregadas? Esse será o debate das próximas duas décadas”, disse.
’OS PREÇOS NÃO CAÍRAM’
O presidente criticou os países desenvolvidos que, segundo ele, são responsáveis por 70% da poluição do planeta e, ao mesmo tempo, se preocupam com a Amazônia. Lula defendeu o programa brasileiro de biocombustíveis como forma de reduzir a emissão de gases. O presidente disse que o Procolo de Kioto, que estabelece metas de poluição, faliu, já que parte dos maiores poluidores, como os Estados Unidos, não referendou o acordo.
Em discurso, Lula defendeu a CPMF, cujo fim tirou R$ 40 bilhões da Saúde. Segundo ele, apesar de a alíquota de 0,38% sobre as movimentações financeiras não existir mais, os preços dos produtos e serviços não caíram. “Parece que só aumentou o ganho dos que pagavam a CPMF. Por que muita gente ainda teima em acreditar que o Estado tem que ser fraco? O Estado fraco não governa”, afirmou o presidente, referindo-se à necessidade de se aplicar a arrecadação de impostos em favor dos mais pobres.
O presidente ainda falou sobre os funcionários do BNDES acusados de desvio de verbas do banco, dizendo que devem pagar por isso. O governador Sérgio Cabral disse que a política externa do governo é responsável pelo bom momento econômico do País.
Ouça o discurso do presidente Lula:
Frente da Saúde não quer volta da CPMF
A Frente Parlamentar da Saúde não quer vincular a regulamentação da Emenda Constitucional 29 com a criação de uma nova CPMF. A votação do projeto de lei que amplia para 10% da receita bruta os investimentos do governo federal no setor está prevista para amanhã na Câmara.
O presidente da frente, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), afirmou que o governo tem recursos para cumprir a regulamentação que está sendo proposta. Os gastos passariam de R$ 48 bilhões para R$ 71 bilhões.
“A posição da frente é de que não queremos vincular a Emenda 29 a nenhum tipo de novo imposto. Deve ser uma decisão paralela, não uma condição para se votar a emenda. Nós não vamos defender essa proposta”, declarou Rafael Guerra, que também criticou o aumento de impostos sobre cigarros e bebidas como forma de compensar a medida.