SÃO PAULO - A Justiça paulista autorizou que Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, e sua advogada, Cristina Christo Leite, atuem oficialmente como assistentes de acusação do Ministério Público na ação penal contra Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina e acusados de asfixiá-la e arremessá-la pela janela de seu apartamento, dia 29 de março. A decisão foi do juiz do 2º Tribunal do Júri de Santana (zona norte da capital paulista) Maurício Fossen. Com isso, a advogada Cristina Leite poderá participar dos interrogatórios de réus e de testemunhas, pedir novos laudos técnicos e se dirigir aos jurados caso haja julgamento por júri popular.
O promotor do caso, Francisco Cembranelli, contou que Ana Carolina já havia decidido auxiliar a acusação 15 dias após o crime. Ele disse ter sido procurado pela mãe de Isabella e por sua advogada e que as aconselhou a entrar no caso apenas depois da conclusão do inquérito.
Os advogados de Alexandre e Anna Jatobá informaram que devem ir ainda hoje a Brasília para protocolar novo pedido de habeas corpus. Desta vez, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
LICENÇA-PRÊMIO
A defesa pretendia esperar até terça-feira, quando o mérito do primeiro habeas corpus poderia ser julgado pela 4ª Câmara Criminal do TJ-SP. Ontem de manhã, no entanto, os advogados ficaram sabendo que o desembargador Caio Canguçu de Almeida, um dos três integrantes da Câmara, vai sair de licença-prêmio na segunda-feira e só voltará no dia 4 de junho.
De acordo com a assessoria de imprensa do TJ, enquanto o desembargador estiver de licença, o mérito da decisão não pode ser julgado pelos outros dois desembargadores que compõem a Câmara — justamente porque ele é o relator do pedido.
Advogados querem nova transferência
Os advogados de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá querem que o pai de Isabella seja transferido do Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos, zona metropolitana de São Paulo, onde ele está preso desde terça-feira. A defesa argumenta que Alexandre tem diploma de nível superior e poderia ficar detido em outro local “mais apropriado”. O pai de Isabella está numa enfermaria, sozinho, com apenas um colchonete.
Os advogados querem que ele seja enviado para a penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, onde também está Anna Jatobá. Ela ainda não tomou sequer um banho de sol, pois a direção do presídio teme por sua segurança.