
Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse, na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que seu pedido de afastamento "decorre das dificuldades que têm enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental". Ela disse a Lula que ele têm consciência das "crescentes resistências encontradas" por sua equipe.
"Durante essa trajetória, vossa excelência é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade ao mesmo tempo, de outros setores tivemos parceria e solidariedade. Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam que é necessária à reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental", disse Marina Silva em carta.
Na carta de demissão, enviada ao presidente Lula, a ministra lista os avanços feitos durante o governo na área ambiental, entre eles as políticas de combate ao desmatamento e o plano nacional de mudanças climáticas. Também relembra o decreto editado no fim do ano passado, impedindo investimentos de bancos em propriedades situadas nos municípios responsáveis pelos maiores desmatamentos.
Segundo ela, sua saída do governo representa o fim de um ciclo "cujos resultados foram significativos, apesar das dificuldades". "Entendo que a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade brasileira e o governo é buscando, no Congresso Nacional (Marina foi eleita senadora pelo Acre em 2002 e deve retomar as funções), o apoio político fundamental para a consolidação de tudo que conseguimos construir e para a continuidade da implantação da política ambiental", disse Marina.
A ministra disse que deixa o governo "com a consciência tranqüila" e certa de que fez "algo de relevante para o Brasil".
As informações são de Jeferson Ribeiro, do Terra