Rio - Carlos Minc, que está deixando a Secretaria Estadual do Ambiente para assumir um lugar na Esplanada dos Ministérios, tem consciência de que pega a pasta em condições adversas: substitui Marina Silva, que tem grande credibilidade, os desmatamentos estão aumentando e, para piorar, começa o período de estiagem. Ele anunciou que prepara um plano emergencial contra queimadas e desmatamentos e espera ter apoio no governo à medida em que licenciar obras do PAC com agilidade.
—Qual será a diferença entre o ministério com Marina Silva e o ministério com o senhor no comando?
— Eu vou dar continuidade a todos os planos da Marina (Silva), sem exceção. Vou aproveitar 70% do pessoal dela. Eu acho que vai ser uma mudança de gestão. Vamos agilizar os licenciamentos, aumentando o rigor. É possível e a gente já mostrou no Comperj (Complexo Petroquímico de Itaboraí). Foi rápido e o mais exigente do País. Eu acho que são questões de gestão.
— O senhor vai assumir no período de estiagem. Pensa em adotar algum plano emergencial?
—A primeira coisa que vou fazer é uma rápida reunião com o pessoal da linha de frente. Vou adotar medidas parecidas com as que adotei aqui, como a Coordenação Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cica) e um plano de combate às queimadas e incêndios. Já falei com o pessoal da linha de frente do Ibama e falei que a condição para eles continuarem é botar para quebrar, cair com tudo em cima do desmatador, agora. Não vai faltar grana e não vai faltar poder. ‘Topam ou não topam?’, eu disse. Toparam e foram confirmados.
—O senhor, que conversou com o presidente Lula e com a ministra Dilma Roussef, o que diria da mentalidade do governo?
— Acho que a posição do governo acaba sendo o resultado de várias posições. Não me assusta esse negócio de que tem pressão. Quando cheguei naquela segunda-feira para uma conversa de mais de uma hora com o Lula e a Dilma, o presidente realmente estava em dúvida se mantinha ou não aquela resolução do Banco Central que tira o crédito para quem não tem regularização. Seria, por exemplo, passar o prazo para o ano que vem. Disse que não podia mexer, que eu não poderia começar dessa forma. Eu falei, ‘Lula, não dá!’. Aí ele concordou. Mas aí eu tenho uma ‘cenoura’ para pôr na mesa, que é desbloquear o PAC sem afrouxar o rigor. Para a Dilma, é música nos ouvidos. Acho que, com isso, tenho cacife para dizer que preciso de dinheiro. Quero fazer o Arpa (Programa de Áreas Protegidas) da Mata Atlântica e quero a guarda florestal nacional. Tenho que mostrar que o Meio Ambiente vai ajudar o desenvolvimento sem afrouxar o rigor.
—Em relação à polêmica com as Forças Armadas sobre as reservas indígenas?
— Existem destacamentos das Forças Armadas em áreas indígenas. Nada impede. A polêmica foi levantada por interesse econômico e usaram a soberania nacional para defender o interesse comercial. Defendi o Exército nas áreas de conservação e defendo o Exército nas fronteiras e até nos entornos das unidades indígenas.
—E como vai ser a relação com o governo do Mato Grosso?
—Hoje (sexta-feira) me ligou o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso (Luís Henrique Daldegan). Ele disse que vai na minha posse e que o próprio governador Blairo Maggi também vai, e me convidou para ir lá. Tem coisas que a gente não abre mão. Por exemplo, aquela história do Banco Central, até o fim da estiagem eu não abro mão. Eles estão dizendo que o prazo é estreito, mas eu não vou abrir antes da estiagem. Depois, se ajudarem a derrubar e demonstrarem que estão dispostos a fazer tudo certinho, aí a gente posterga um pouquinho. Mas em contrapartida eu vou querer aqui na Mata Atlântica a mesma coisa.
—O senhor acredita que a boa relação entre o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula ajudou na nomeação?
—O Cabral é hoje o governador mais íntimo do Lula, o que dá uma ciumeira no pessoal do PT. Nunca o Rio de Janeiro teve uma relação como essa. Acho que juntaram várias coisas. Eu ser conhecido do presidente, eu ser um ambientalista conhecido, estar licenciando bem e estar no governo do Rio, onde o Sérgio Cabral é o grande parceiro dele (Lula).
—O senhor vai se envolver nas eleições municipais?
—Molon é meu candidato, meu companheiro de bancada e de partido. Vou apoiar o Molon nos limites que a lei permitir, sem atrapalhar a minha função. Não sou ministro para fazer campanha política, mas posso gravar passagens para a televisão.