Rio - A Justiça Eleitoral proibiu ontem o senador Marcelo Crivella, candidato do PRB à Prefeitura do Rio, de utilizar imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos programas do horário eleitoral gratuito na televisão. A decisão foi do juiz Cezar Augusto Rodrigues Costa, que acatou duas representações — uma do PT e outra do PMDB — contra o candidato do PRB. Crivella também foi proibido de utilizar imagens do governador Sergio Cabral.
O juiz concedeu liminar ao PT e ao PMDB para que as exibições das cenas nas quais Cabral e Lula aparecem ao lado de Crivella, em visita às obras de uma siderúrgica no Rio, sejam suspensas imediatamente. Se desrespeitar a decisão, o senador terá de pagar multa de R$ 20 mil por cada imagem divulgada no horário eleitoral.
Para o juiz, as cenas expostas revelam “apoio claro, veemente e eloqüente do presidente Lula e do governador Sérgio Cabral à campanha de Crivella”, o que é proibido pela legislação eleitoral porque os dois não são integrantes do PRB. Pela lei eleitoral, políticos filiados a partidos não podem participar do horário eleitoral gratuito pedindo votos para candidatos de legendas rivais.
Crivella tem até amanhã para apresentar defesa nas duas ações. O advogado Luciano Alvarenga disse, porém, que o senador vai apresentar suas alegações ainda hoje, para agilizar o julgamento final dos processos pelo juiz. A expectativa do advogado é de que o magistrado reveja a decisão. “As imagens não mostram Lula e Cabral pedindo votos para Crivella”, alegou Alvarenga. Ele disse que, se a proibição não for revogada, Crivella vai recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
O candidato do PT, Alessandro Molon, disse que lamentava ter de recorrer à Justiça “para fazer um candidato a prefeito cumprir a lei”. “O Rio não merece um prefeito que não cumpre a lei”, criticou Molon.