
Minas Gerais - O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) denunciou, na segunda-feira, Marcos Valério Fernandes de Souza e outras 26 pessoas, incluindo diretores e ex-diretores do Banco Rural, por crimes decorrentes de fatos relacionados ao chamado mensalão mineiro. A decisão foi divulgada nesta tarde pelo MPF.
Mensalão mineiro é o nome que se deu ao suposto esquema criminoso que, em 1998, vigorou durante a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo ao governo do Estado de Minas Gerais. Azeredo, hoje senador da República, e outras 14 pessoas foram denunciados em novembro do ano passado pelo procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza.
Eles foram acusados de terem criado e desenvolvido, em Belo Horizonte, um esquema que, mais tarde, seria utilizado em âmbito nacional naquele que ficou conhecido como o escândalo do mensalão. Foi durante as apurações dos fatos do mensalão que apareceram provas da existência do suposto esquema realizado anos antes em Minas Gerais, com participação de Marcos Valério, de suas empresas e do Banco Rural.
Segundo a denúncia do PGR, foram desviados, pelo menos, R$ 3,5 milhões dos cofres públicos do Estado de Minas Gerais para a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo.
As denúncias oferecidas esta semana pelo MPF tratam de desdobramentos do inquérito principal, que tramita, devido ao foro privilegiado de algumas autoridades acusadas pelo PGR, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Denúncias
Em uma das três denúncias, o MPF acusa Marcos Valério dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A mesma peça inclui o ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), Rogério Lanza Tolentino, denunciado por corrupção passiva e também por lavagem.
A segunda denúncia do MPF contra Marcos Valério refere-se ao crime que consiste em induzir ao erro repartição pública competente, ao prestar-lhe informação falsa. Também foi denunciado Cristiano de Mello e Paz, seu sócio na SMP&B Comunicação.
Em julho e setembro de 1999, os acusados teriam prestado informações falsas relativas a um contrato de mútuo celebrado com o Banco Rural. O pedido de informações fora feito pelo Banco Central, ao notar movimentações suspeitas na conta da SMP&B.
A terceira denúncia do MPF acusa 24 dirigentes do Banco Rural da prática dos crimes de gestão fraudulenta e de gestão temerária, além de lavagem de dinheiro. Entre os denunciados, estão cinco integrantes da atual diretoria do banco (Kátia Rabelo, Plauto Gouvêa, João Heraldo dos Santos Lima, José Roberto Salgado e Mauro Pereira Gomes), além de ex-dirigentes.
As informações são do Terra