Salvador - A recente morte de jovens negros em Salvador, com suspeita de abuso de autoridade, está sob investigação da polícia da Bahia, afirma o secretário de Segurança Pública do estado, Paulo Bezerra.
“Somente após a conclusão do procedimento administrativo-disciplinar, ou mesmo do inquérito policial, é que nós poderemos dizer se efetivamente houve um excesso, ou se a polícia agiu dentro do que as normas prevêem. Seria prematuro, em um primeiro momento, dizer tanto que a polícia agiu corretamente quanto que houve excesso nas ações”, disse Bezerra à Agência Brasil.
O fato foi denunciado na edição desta semana da revista Carta Capital, que descreve protestos de moradores da periferia contra a morte de quatro jovens em 12 dias, fazendo piquetes, fechando ruas e incendiando um ônibus. As vítimas, segundo a publicação, são negras, oriundas de comunidades carentes e não tiveram passagem pela polícia. Entrevistado, o governador Jaques Vagner disse ser "inadmissível que policiais ajam à revelia da lei".
À Agência Brasil, o secretário de Segurança prometeu que as denúncias de abusos serão apuradas com o rigor necessário. E que os policiais envolvidos vão ser punidos se forem comprovadas.
“O que nós podemos afirmar veementemente é que uma vez ocorrido o fato, a Polícia Militar, por meio de sua corregedoria e por determinação de seu comandante, por orientação do governo do estado, tomará providências imediatas do ponto de vista disciplinar”.
Nesta segunda-feira, integrantes do Instituto Cultural Steve Biko protestaram durante o carnaval de Salvador. O grupo, que prega a luta pelos direitos dos afro-descendentes, afirma que os negros são os maiores alvos da imprudência policial.
"Nós respeitamos esses protestos que, aliás, fazem parte do processo democrático", declarou o secretário. "Cada grupo organizado tem o direito de externar seu pensamento. É importante que se frise que o efetivo da Polícia Militar tem em torno de 85% de afro-descendentes. Verifica-se que há um grande índice de afro-descendentes tanto na força policial quanto também do outro lado do confronto. Isso por si só não justifica [a ocorrência de abusos]. Nós temos que verificar mais amiúde e apuradamente para ver o que está acontecendo”.
As informações são de Hugo Costa, da Agência Brasil