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24/7/2008 01:25:00

Rocinha, a guerra dos votos

Candidatos à prefeitura e à Câmara disputam eleitores no território dominado por traficantes

Pedro Landim


Sem policiamento, candidatos a vereador pelo PRB e pelo PR caminharam na favela. Foto: André Az / Agência O DIARio - Todos querem a Rocinha. Ontem foi o candidato à prefeitura Marcelo Crivella (PRB) quem subiu a maior favela brasileira, sem policiais, levando três candidatos a vereador no vácuo, ao contrário da candidata à Câmara Ingrid Gerolimich (PT), que pediu auxílio policial na terça-feira. São cerca de 60 mil moradores com domicílio eleitoral no Rio, no universo de mais de 150 mil habitantes. Entre os candidatos a prefeito, Jandira Feghali já passou por lá, e Molon desmarcou visita por sentir-se inseguro.

“Não pedi segurança nem aceito barreiras. Não admito áreas dominadas por facções”, disse Crivella. Mais cedo, no entanto, uma visita do senador ao Pavão-Pavãozinho havia sido cancelada, segundo a candidata Liliam Sá (PR), por “problemas com o candidato do local”. Crivella justificou a mudança de planos alegando que participou de uma reunião.

Ao lado do senador, na Rocinha, estavam, além da vereadora Liliam Sá, eleita com 5 mil votos na comunidade, os candidatos Nilo e Tânia Bastos (PRB) , que resumiu o espírito da campanha: “Já que abriram espaço, a gente vai subindo...”.

Presidente da associação de moradores e principal candidato a vereador da favela, recentemente acusado de barrar adversários e de contar com o apoio eleitoral do tráfico de drogas, Claudinho da Academia (PSDC) não compareceu à caminhada do candidato de sua coligação, alegando reunião importante.

“Todos querem fazer campanha aqui e depois não voltam nem para trocar uma lâmpada”, defende-se Claudinho, apontando as deficiências na saúde (taxa de tuberculose seis vezes maior que a do País) e no ensino como os pontos críticos.

“Vejo com estranheza candidatos que transitam com desenvoltura em comunidades dominadas por milícia ou tráfico”, afirmou o candidato à prefeitura Alessandro Molon (PT), que adiou uma caminhada na Rociuha orientado por militantes.

Liliam Sá, que tem obras sociais na favela, caminou com Crivella e cabos eleitorais locais e afirmou: “Aqui tem espaço para todo mundo. Mas tem que se apresentar”. Sem a presença de Claudinho, Crivella teve a companhia de William de Oliveira, ex-presidente da associação de moradores. “Tudo o que se faz na Rocinha é amplificado, para o bem e para o mal”, explicou William.

GABEIRA DIZ TER MAPEADO 26 ÁREAS DE MILÍCIA

Candidato pelo PV, Fernando Gabeira fez campanha ontem no Calçadão de Bangu, na Zona Oeste. Deputado federal mais votado no Rio, Gabeira disse que pretende intensificar a campanha na região e estudará áreas dominadas pelas milícias.

“Estamos levantando junto ao TRE as áreas dominadas por milícias. Segundo o levantamento, são 26 na Zona Oeste. Vamos intensificar a campanha aqui, mas queremos saber mais sobre essas áreas. A prisão do Natalino pode melhorar o acesso. Pelo menos a ‘Liga da Justiça’ foi desmantelada”, disse.

Gabeira afirmou ainda que não pretende pedir apoio da polícia para entrar em regiões dominadas por paramilitares, onde fará campanha ainda esta semana. Ele ouviu de guardas municipais o pedido para aprovar proposta de emenda constitucional que dá poder de polícia à categoria e defendeu as armas não-letais para policiamento na cidade.

Solange ataca Jandira de novo

As candidatas a prefeita pelo DEM e pelo PCdoB voltaram a trocar farpas ontem por conta da epidemia de dengue. Durante encontro com comerciantes e moradores na Cobal do Humaitá, Solange Amaral criticou Jandira Feghali por ter responsabilizado, em 2002, o ex-ministro da Saúde José Serra pelo problema e, agora, estar atacando a política do prefeito Cesar Maia. “Administração é coisa séria. Temos que trabalhar com harmonia, sem leviandade”, acusou Solange. Jandira negou que esteja sendo incoerente e afirmou que a adversária não entende de saúde pública. “Onde estão os R$ 23 milhões da Taxa de Inspeção Sanitária deviados da saúde?”, indagou.

Leia também: Campanha com escolta da PM

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