FLORIANÓPOLIS - Apesar da boa ação dos milhares de brasileiros que têm enviado mantimentos para a população atingida pelas chuvas em Santa Catarina, parte do material não tem chegado aos flagelados, como deveriam. Imagens registradas por câmeras e divulgadas ontem pelo ‘Jornal Nacional’ flagraram voluntários e soldados do Exército furtando roupas e tênis, entre outros objetos que deveriam chegar às mãos das vítimas da tragédia.
Nas imagens registradas no Pavilhão 1 do Parque Vila Germânica, em Blumenau, donativos são levados por voluntários e militares, que aparecem escondendo os objetos e os alimentos em mochilas ou em veículos. Há imagens de soldados escolhendo produtos e comentando sobre um sutiã: “Eu peguei para a minha namorada”. Em outra cena, uma mulher que entrou como voluntária afirma: “Tem coisa boa. Vou levar este aqui para meu guri”. Agostinho Schaupper, coordenador do pavilhão, admitiu desvios. “A gente cede para uma ou outra pessoa que trabalhou, que fez trabalho voluntário durante dias”, afirmou.
A Secretaria de Desenvolvimento Regional de Blumenau anunciou que vai implantar medidas como contratação de um escritório de logística para a recepção e expedição dos donativos. Também foi determinada a mudança do local da central de recepção, em 10 dias.
Outra medida apontada será uma investigação desenvolvida pela assessoria jurídica da Secretaria de Desenvolvimento Regional, que deverá descobrir os responsáveis e fazer os encaminhamentos legais. O Ministério Público de Santa Catarina e o Exército informaram que também vão investigar as denúncias. Ontem, após a divulgação pela TV Globo das imagens dos furtos, houve reforço no número de funcionários que controlam a chegada de donativos e a saída para os abrigos.
Comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, o general Manoel Luiz Narvaz Pafiadache lamentou o caso, classificando-o como doloroso. Segundo o jornal ‘Diário Catarinense’, ele declarou tratar-se de uma situação isolada e que, por isso, fugiu ao processo de controle do Exército. O comandante afirmou ainda que os furtos foram praticados por soldados que não estavam alinhados com as diretrizes da corporação.
Segundo o tenente-coronel Edson Rosti, comandante do 23º Batalhão da Infantaria (BI) do Exército, a corporação vai apurar o caso, e o relatório será apresentado daqui a 20 dias. Um inquérito policial militar também deve ser instaurado.