Candidata diz que a bagagem acumulada em sua vida pública lhe dá segurança para administrar o Rio. Com planos ambiciosos, ela não vacila em jogar farpas contra a administração de Sérgio Cabral, padrinho da candidatura do rival Eduardo Paes (PMDB)
Rio - Aposição não muito favorável nas pesquisas eleitorais — aparece em quarto lugar no Ibope divulgado ontem — não desanima Solange Amaral (DEM) na luta pela Prefeitura do Rio. Ela aposta que chega ao segundo turno e que a campanha está esquentando agora. Candidata do prefeito Cesar Maia, não vê problemas na associação da sua imagem à dele, mas reconhece que precisa ter, ao menos em algumas áreas, desempenho melhor do que o do padrinho político. Com lista de projetos ambiciosos, como a construção de 100 mil casas, ela não vê problema em arrumar recursos. “Tudo é uma questão de gestão. Desse riscado, eu entendo”, afirma.
O que a senhora pretende fazer para criar mais empregos na cidade? (Rafael Rudess, assistente administrativo) Quero criar frentes de trabalho. Quero criar cem projetos do Favela Bairro, investir na infra-estrutura da cidade, e fazer mais 20 projetos do Rio Cidade. E pretendo duplicar o número de creches, um equipamento que você cria empregos quando constrói e cria outros quando está funcionando. Hoje a prefeitura tem 250 creches no Favela-Bairro. Quero dobrar esse número e universalizar a pré-escola. E vou fazer concurso público para absolver 35 mil pessoas.
Mas a máquina administrativa tem condições de segurar esse custo? Não tenho dúvida. O servidor do município recebe em dia. A infra-estrutura da cidade vem crescendo. O aposentado recebe em dia, tem aumento, paridade. Vamos ampliar a Guarda Municipal e fazer os concursos.
Que condições o Executivo vai criar para atrair novos investimentos ao Rio (Maria David, professora de Economia da Uerj) Estamos sempre atentos à competitividade da cidade. O prefeito mandou para a Câmara duas mensagens diminuindo tributos. Diminuindo o ISS de 5% para 2% para todas as empresas de tecnologia da informação, de informática e para corretores de seguros. E vamos trabalhar para que o turista fique mais tempo aqui. É preciso investir na vocação.
Como consolidar isso? A cidade já recebeu equipamentos. Quando você cria, por exemplo, a Cidade dos Esportes, como foi para o Pan, você está atraindo... Teremos olimpíadas militares no ano que vem. Virão 9 mil pessoas de fora para competir nos equipamentos dos jogos. O Rio ganhou centralidade esportiva. Qualquer instituição que organiza eventos esportivos e quiser fazer um evento grande vai pensar no Rio. E hoje isso é grande ativador do turismo e da economia.
Turismo exige segurança. Como a prefeitura pode ajudar nessa área? Essa tarefa é do estado. E esse é o serviço público que o carioca não tem. Dados da Fecomércio mostram que disparou o crime de centro de comércio, as saidinhas de banco, roubo de laptop, celular. Quero ajudar, comprar mais de mil câmeras para instalar em centros de comércio e serem ligadas às centrais de polícia. Podemos ajudar no patrulhamento ostensivo com a Guarda Municipal, além de manter o trabalho de prevenção de jovens, de absorção de ex-presidiários no programa Agentes da Liberdade, de educação de jovens e adultos, de prevenção contra drogas. Acho que o governo do estado está perdido. Compra carros, compra fuzil que nem cabe no carro. Depois, não é mais fuzil, é carabina. Não há patrulhamento nas ruas. O carioca está entregue.
E a senhora se aproximaria do governador para resolver essa questão? Eu me dou muito bem com o governador. Fomos deputados juntos, votei nele. Acho que em relação aos royalties ele está tendo boa postura, defendendo a cidade. Em outras áreas, acho que erra. Se eleita, procuro o presidente e o governador para trabalharmos juntos.
O que fará para cuidar dos menores infratores? (Eduardo Figueira, educador) Menor infrator é competência do Degase. Dos órgãos estaduais. Teríamos que trabalhar com a Fundação Leão XIII, que acabou. Não existe o atendimento à população de rua por parte do governo. A prefeitura tem boa aliança com o Ministério do Desenvolvimento Social, nessa área, e tem que trabalhar na prevenção.
Ter a imagem do prefeito Cesar Maia Cesar ao seu lado ajuda ou atrapalha? Todos os governos têm acertos e erros. Uns acertam muito mais, como é o caso do prefeito. Ele investiu muito na cidade, garantiu tanta coisa que o Rio não tinha... Agora, é um governo que também erra. Isso faz parte de quem faz. Temos que apresentar trabalho, respeito ao servidor público.
Na sua avaliação, em que o o prefeito pecou e o que a senhora pode fazer para resolver isso? Podemos avançar muito na saúde e na área de transporte. Quero trabalhar com o governo do estado na questão do bilhete único. Falo no trabalho conjunto porque o estado tem a concessão de barcas, trem e metrô, e a prefeitura tem as concessões dos ônibus. Hoje já temos as integrações. Mas temos que avançar mais. Isso foi um dos erros do PAC: não trazer nenhum tostão para o transporte coletivo do Rio.
Mas houve um momento de apresentação de projetos para o PAC... Projetos para transportes há. A implantação do corredor T5, da Avenida Brasil à Avenida das Américas, passando por vários bairros. Mas não existem recursos federais para isso.
Mas a prefeitura não poderia ter pleiteado a inclusão do projeto no PAC? Não. Estive com a ministra Dilma Rousseff duas vezes para tratar do PAC. O corredor T5 eu incluí no Plano Plurianal do governo. Está lá a previsão de que o governo federal libere, este ano, R$ 600 milhões para o corredor. A hora que o presidente quiser, é só liberar.
O que a senhora fará para levar mais ônibus a bairros como o Catumbi? (José da Costa, aposentado) A nova licitação para empresas de ônibus é urgente. O serviço tem que melhorar. E essa licitação está suspensa na Justiça. O que impede que os ônibus do Rio possam ter biodiesel, GPS, câmeras para evitar assaltos? Mas as empresas de ônibus do Rio são muito poderosas. Foram à Justiça e levantaram o edital que é para isso, para ter ônibus no Catumbi, em Cascadura, na Zona Oeste. Isso será uma queda-de-braço da prefeita Solange.
A senhora vai credenciar mais Kombis e vans? Isso é uma realidade que pretendo ordenar.
A senhora vai liberar mais autonomias de táxis? Tem táxi demais. Foi um erro liberar tanta autonomia. Hoje eles ficam buscando pontos de apoio para parar. Temos que ajudá-los. Pedi ao prefeito que estude o fim da taxa de auxiliar.
Como vai separar o seu governo do de Cesar Maia? Continuar não é repetir. É avançar, é desdobrar.
A senhora está em quarto lugar nas pesquisas, como reverter o quadro? A eleição está começando a acontecer. Na última pesquisa, cresci 40% e acho que vou manter isso. Vamos para o segundo turno.
A atual política de educação será mantida com a promoção automática? (Flávia Gravino, advogada) O que existe é um sistema de avaliação continuada, um sistema moderno. Precisamos diminuir o número de alunos por sala; ampliar a capacitação do magistério e o diálogo com os professores. Temos que investir em escolas modernas, com informática e vamos implantar 70 dessas. Darei mais atenção ao pessoal de apoio.
O posto de saúde Belizário Pena, em Campo Grande, tem atendimento precário. Como melhorar? (Clélia Bezerra, dona-de-casa) Essa área de saúde tem que melhorar. Precisamos ampliar os postos e melhorar o serviço. Quero levar aos postos o modelo que está funcionando no Hospital de Acari. São 500 pessoas atendidas por dia, sem fila. Exames, consultas, cirurgia com hora marcada. E quero ampliar o programa Remédio em Casa, fazer o hospital da Mulher na Zona Oeste e implantar uma maternidade em Jacarepaguá e outra em Santa Cruz, além de criar mais 26 postos de saúde. Não se pode responsabilizar só a prefeitura pelos problemas na saúde. No estado existem problemas, unidades com seis andares fechados, como o Albert Schweitzer. É claro que há uma crise, mas que precisa ser resolvida por todas as instâncias.
Como conter a evasão de médicos com o salário que vem sendo pago pela prefeitura? (Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos)
O médico do município ganha o dobro do que ganha o do hospital estadual. O enfermeiro ganha o triplo. Claro que precisamos melhorar a renumeração das pessoas, mas a prefeitura já está mais perto disso. Mas precisamos trabalhar juntos: prefeitura, estado e governo federal. Votei contra a CPMF, mas R$ 40 bilhões ficaram no bolso das pessoas. O PCdoB votou a favor, o PMDB também, como pretexto para dizer que iam investir na saúde. E o que aconteceu? Nada. O problema da saúde é gestão.
Como vai financiar os seus projetos? São muitos projetos. E tem ainda a construção de cem mil casas populares. Buscaremos recursos nos órgãos internacionais, nacionais, no FGTS, no Fundo de Habitação de interesse social.