Brasília - A greve de fome do frei Luiz Flávio Cappio foi encerrada na noite desta quarta-feira por decisão do médico Klaus Finkan, em consonância com os familiares do religioso e com autorização do próprio d. Cappio.
"Ele está semiconsciente, com o estado geral comprometido e será internado por determinação minha para evitar possíveis danos permanentes", afirmou o médico, segundo a Agência Estado.
Uma ambulância é esperada para levar o religioso a um hospital em Petrolina, em Pernambuco, a 50 quilômetros de Sobradinho.
Desmaio durante audiência
O bispo de Barras (BA) estava em greve de fome há 23 dias contra as obras de transposição do Rio São Francisco. Nesta quarta, ele desmaiou durante audiência em Sobradinho (BA) com militantes do Movimento dos Sem-Terra para a criação de uma carta conjunta contra a obra.
Testemunhas disseram que o desmaio durou alguns segundos e dom Luiz Cappio precisou de ajuda para se levantar.
O bispo, que sofre de complicações renais e estava debilitado, ficou abalado ao descobrir que o Supremo Tribunal Federal (STF) não determinou a interrupção das obras. Quando soube da decisão, revelou aos companheiros de protesto que se sentia fraco, sem forças para continuar a discussão. "Estou sentindo um desalento muito grande... Não estou bem", disse.
Derrota no STF
O Supremo cassou pela manhã a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que havia suspendido as obras de transposição do rio São Francisco. A decisão foi tomada pelo relator, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, na análise do pedido de liminar, ajuizada na Corte pela União.
O pedido da União se fundamentou em um dispositivo da Constituição que diz que compete ao STF processar e julgar "as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta".
Planalto rejeita exigências
Também nesta quarta-feira, o Palácio do Planalto rejeitou as duas principais exigências feitas pelo bispo para acabar com o protesto. A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicou por telefone à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que o governo rejeitou a suspensão das obras e a mudança no projeto oficial, com a redução do volume de água para os Estados de Pernambuco e Paraíba.
Sem saber do desmaio de d. Cappio, Lula orientou o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, a anunciar que só poderia atender as últimas seis exigências do documento apresentado ontem pelo bispo. O governo concorda nos pontos genéricos da proposta, como apoio a comitês de moradores das margens do São Francisco, incentivo ao trabalho de armazenamento de água para consumo e a revitalização das bacias dos principais rios do semi-árido.
CNBB
Em nota divulgada hoje, o secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, informou que o Planalto rejeitou ainda outra proposta, feita pela entidade, de suspender por dois meses as obras de transposição. Essa proposta chegou a se discutida ontem por Gilberto Carvalho e pelo representante de Cappio, Roberto Malvezzi, na sede da CNBB.