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ACADÊMICOS DO SAMBAA imprensa carnavalesca, de novo
Felipe Ferreira, nos encontros que promovia para discutir a relação entre internet e carnaval, certa vez apresentou uma visão pouco otimista da cobertura carnavalesca. Disse ele que os sites, ao suprir a demanda por notícias de carnaval durante o ano, não se libertou dos vícios da imprensa não especializada, reproduzindo o mesmo modelo baseado na exaltação da futilidade e do secundário. De fato, lemos nos sites carnavalescoso que se encontram nas colunas de fofoca dos jornais impressos e nos programas de televisão: notícias sobre rainhas de bateria, modelos, beldades, pseudocelebridades. Pode-se alegar que isso, bem ou mal, já faz parte da cultura do carnaval, e que há uma demanda por esse tipo de notícia por parte dos afeitos ao universo das escolas de samba.Poucosadmitem gostar de saber notícias sobre mulheres lindas; mas também poucos deixam de acessá-las por não as considerarem interessantes. São fatos jornalísticos, e não podem ser ignorados. O problema está em sua dimensão, em sua valoração - na atividade jornalística que define quais as notícias mais importantes. Mas a verdade é que os sites de carnaval ampliaram a extensão de sua cobertura, no que cumprem um papel histórico da mais alta relevância: dar voz e espaço aos personagens e aos bastidores das escolas de samba e das demais entidades carnavalescas. Com isso, recuperam uma tendência que a grande imprensa deixou de cumprir, paulatinamente, desde o início dos anos setenta. Ao lado das beldades e dos globais, desfilam os diretores de bateria, os casais de mestre-sala e porta-bandeira, os compositores, os diretores de carnaval, os diretores de harmonia - aqueles personagens que não interessam à indústria do espetáculo, a não ser pontualmente. O contraponto à 'espetacularização' da cobertura não deve limitar-se somente a noticiar fatos de bastidores. É importante que divulguemos que a escola trocou seu diretor de bateria, que a porta-bandeira está insatisfeita, que o carnavalesco não se entende com o diretor de carnaval; mas tão ou mais importante é aprofundar a análise, é oferecer ao público conhecimento capaz de elevar seus conhecimentos sobre o assunto. Precisamos formar massa crítica capaz de pensar o carnaval sem as amarras do politicamente correto, sem os radicalismos que há décadas permeiam o debate carnavalesco. Nos últimos anos, os sites estão investindo em profissionais que procuram analisar o carnaval tendo por base seus fundamentos históricos, sociológicos e antropológicos.Tenho orgulho de ser um dos primeiros colunistas a apostar nesse tipo de crônica carnavalesca em site jornalístico. Foi aqui, n’O Dia na Folia. A mim seguiram-se, aqui e acolá, Luis Carlos Magalhães, Fábio Fabato, Walter Nicolau, Gustavo Melo, o trio Simas-Mussa-Edgar. Acostumar o público a esse tipo de texto é outra tarefa importante, às vezes penosa, quase sempre recompensadora. Com frequência, leio comentários que questionam a utilidade das colunas. “Vocês escrevem bem, mas o assunto que abordam está longe do interesse do povão”, escreveu um internauta recentemente sobre os colunistas. O argumento é fraco, pois pressupõe que, no universo tão amplo dos amantes do carnaval, o “povão” seja uma unidade homogênea que partilha dos mesmos gostos e dos mesmos interesses. Há os que desejam ler fofocas. Há os que só querem notícias curtas. Há os que só querem ver as coxas femininas. E há os que querem pensar, discutir o carnaval, acumular e trocar conhecimento sobre o assunto. A esses, o tempo é propício. * * * Orgulha-me sobremaneira ter como colega de O Dia na Folia o amigo, vizinho e ex-aluno Luis Carlos Magalhães. Conversei com ele dias atrás, para congratulá-lo pelo espaço conquistado. Observei-lhe a alegria de um jovem iniciante. Aos cinqüenta e poucos anos, quando muitos tentam redescobrir o sentido da vida, Luis Carlos encontrou-o no samba e no carnaval, pelos quais é apaixonado desde criança. Agora ele voltou a ser menino. Foi com essas palavras que, faz quase dois anos, saudei a chegada de Luis Carlos Magalhães a este site. Com as mesmas, desejo-lhe sucesso nesta nova empreitada profissional. Saudações portelenses.
* Bruno Fillipo é jornalista, sociólogo e coordenador do Instituto
do Carnaval da Universidade Estácio de Sá Capitão Nascimento no Carnaval Som Brasil Cartola: Por que ficamos sempre com Confira a análise de Bruno Filippo sobre o CD do Grupo Especial |
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