Fazendo Carnaval

Desconstruindo a avaliação
do Carnaval Carioca - Parte 2

Alex de Oliveira continua a analisar as justificativas dos jurados e comenta os mapas de Enredo

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* Por Alex de Oliveira

Meus queridos súditos, seguindo avante com nossos encontros virtuais, quero de antemão, agradecer às manifestações de carinho, apoio e estima e, contudo, dizer que minhas colocações foram feitas a partir do julgamento dos jurados do Grupo Especial da LIESA, por conseguinte, ratifico e corroboro com minhas convicções imparciais de conotação construtivas a todas agremiações, independente do resultado oficial.

Nesse caso, desta vez, iremos transcrever detalhes do julgamento no quesito Enredo. Esse é o ponto de partida rumo ao carnaval subseqüente, pois é a partir da escolha do enredo, que se define a "cara" que a escola deseja imprimir e/ou impressionar no momento do desfile.

Portanto, há trezentos dias (em média) antecedentes ao desfile oficial, é possível vislumbrar quais serão as grandes surpresas aguardadas pelos amantes do carnaval e, principalmente, se aquela história vai render as notas máximas na quarta-feira de cinzas.

No momento exato da abertura do mapa de notas, portanto, deve-se analisar bem seus critérios de escolha, e independente do formato que seja apresentado, o enredo pode ser conceitual, geográfico, histórico, social, temático, entre outros...

Todavia, há de ser consenso sua necessidade e seu conteúdo, afinal, o intuito é possibilitar, através da sinopse - esta se divide em argumento de enredo, problemática ou questionamento a ser apresentado - o tópico importante de cada setor e a síntese para ser entregue aos compositores. Afinal de contas, um excelente samba-enredo é questão fundamental a um grande desfile.

Enfim, dever-se obrigatoriamente, se ater a esse aspecto no momento de sua escolha final. Patronos, presidentes, dirigentes e diretores...tenham sensibilidade, reflitam, repensem, analisem várias vezes ou deleguem poder a seus contratados nesse aspecto. Sabemos da interferência e/ou necessidade financeira oferecida pelos patrocínios, que são de suma importância na atualidade, mas lembrem-se: nem tudo é possível! E como dizia Maquiavel: "Os fins justificam os meios?". E não obstante, na apuração..."A Inês é morta!".

1. Módulo 1 - Flavio Freire Xavier:
Avaliação. NOTA: 10

2. Módulo 2 - Elizeu de Miranda Correa:
Avaliação. NOTA: 10

3. Módulo 3: Luiz Antonio Araújo:
Avaliação. NOTA: 10

4. Módulo 4: Marisa Soares Cardoso
Avaliação. NOTA: 10

OBS.: Excelente nível de julgadores, entendedores do quesito e do regulamento.

Colocação final no quesito Enredo

1ª colocada: Salgueiro| Portela: sem perdas de ponto, quatro notas máximas.
3ª colocada; Tijuca: -0.3.
4ª colocada: Vila Isabel | Beija-Flor: -0.4
6ª colocada: Grande Rio: -0.5
7ª colocada: Imperatriz Leopoldinense: -0.6
8ª colocada: Mangueira| Viradouro: -0.7
10ª colocada: Mocidade Independente: -0.9
11ª colocada: Porto da Pedra: -1.0
12ª colocada: São Clemente: -1.5

Avaliação sobre as justificativas das notas dos julgadores:

Domingo: 03|02

1. São Clemente: (-) 0.4| 0.4| 0.4| 0.3 = -1.5

• Simples relato histórico, a despeito da importância cultural do tema, parabéns pelo trabalho de pesquisa, porém o maior erro da escola foi admitir uma série de destaques de chão. No final, acabou sendo penalizada, por justamente faltarem no roteiro oficial da Liesa as justificativas de duas mulheres dentre as oitos destaques e, por conseguinte, suas personagens no contexto. Além disso, foi penalizada pela inversão de posição entre as alas, e principalmente, pelo transtorno ocasionado por outra destaque, cujo tapa-sexo...Bem, vocês sabem. Direção de carnaval e harmonia...Uni-vos!

2. Porto da Pedra: (-) 0.3| 0.3| 0.2| 0.2 = -1.0

• Enredo mal desenvolvido, formato linear, didático, descritivo e totalmente previsível. Não ficou constatado o centenário da imigração japonesa, infelizmente. Além desse enfoque, houve a inversão da posição do terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira com a ala subseqüente.

3. Salgueiro: (-) _ |_ |_ |_ = sem perda de pontos

• Totalmente justa, necessária e correta a homenagem à cidade de São Sebastião do Rio de janeiro e ao seu povo moreno, festeiro, alegre, vibrante e feliz!

4. Portela: (-) _ | _ | _ | _ | _= sem perda de pontos.

• A escola foi a ultima no ano de 2007 a escolher seu enredo. Após varias especulações, ficou acertado o enredo politicamente correto na questão sócio-ambiental, de sustentabilidade, e consciência ecológica, traduzindo as mazelas mundiais em torno do aquecimento global, que permitiu o excelente desfile e, conseqüentemente, sua quarta colocação.

5. Mangueira: (-) 0.2| 0.2| 0.2| 0.1 = -0.7

• Várias alas parecidas, excesso de narrativas e linguagem pobre. Essas foram algumas das justificativas para a perda de pontos no enredo sobre o centenário do frevo, dançou. É de suma importância que TUDO que esteja no desfile, seja relatado no roteiro oficial, porém, infelizmente, esqueceram, justamente, de citar os famosos bonecos de Olinda que vieram após a alegoria oito.

6. Viradouro: (-) 0.2| 0.2| 0.3| _ = -0.7

• Segundo três dos quatro jurados, o desenvolvimento dos oito “arrepios” ficou a desejar, o tema conceitual utilizou-se de vários ganchos para facilitar o aspecto estético-visual. É a subjetividade interferindo no julgamento, portanto, há de se analisar o perfil dos jurados para desenvolver-se os enredos.

Segunda: 04| 02

1. Mocidade Independente: (-) 0.3| _ | 0.3 | 0.3= -0.9

• A correlação entre o binômio Sebastianismo e Dduzentos anos da chegada da família real ficou aquém das expectativas, dificultado pela compreensão do enredo em termos estético-visuais. Além desse equívoco, os jurados observaram a “correria” das alas onze e doze, à frente das cabines do setor três. Outra penalidade se deu pelo fato do não registro, no Abre-alas, da ala de compositores, velha-guarda e seus respectivos figurinos no contexto geral.

2. Tijuca: (-) | 0.2| 0.1 | _ | _ = -0.3

• Tema dividido com excesso de narrativa, segundo dois jurados, o tema sobre coleções se perdeu em muitas informações. Lastimável colocação!

3. Imperatriz: (-) | _ | 0.2 | 0.3 | 0.1 = -0.6

• Narrativa plástica redundante e materialização do enredo sem criatividade foram os pontos citados por três jurados na defesa da perda de pontos nesse quesito, a despeito da argumentação que, correlaciona a saga da família real aos "Joãos e Marias" do subúrbio da Leopoldina.

4. Vila Isabel: (-): _ | 0.2 | 0.2 | _ = -0.4

• Narrativa plástica do enredo ficou abaixo das expectativas, o argumento poderia ter sido mais bem explorado, principalmente, na Era Vargas. Faltou ousadia no roteiro, apenas, descritivo e cronologicamente linear.

5. Grande Rio: (-) 0.2| _ | 0.2 | 0.1= -0.5

• Enredo patrocinado pelo município de Coari, "de árido conteúdo", face à questão atual do Gás natural determinou excesso de ganchos, com intuito de obter-se oitos setores para o desfile completo. Com isso, o enredo acabou gerando argumentos complexos e de difícil mensagem final. Por isso, esse é um típico exemplo de enredo patrocinado que precisa de questionamentos.

6. Beija-Flor: (-) | 0.1| 0.1 | 0.2| _ = -0.4.

• Enredo pouco inventivo, linguagem confusa sobre lendas e mitos indígenas, excesso de informação e narrativas para compor seus argumentos de difícil compreensão foram alguns dos critérios que penalizaram a escola. Além da presença de alas não mencionadas entre a sexta e sétima alegorias no roteiro oficial. Atenção, direção de harmonia e carnaval!

* Alex de Oliveira é arquiteto, professor da Universidade
Veiga de Almeida e Rei Momo do Carnaval Carioca

 

Leia colunas anteriores:

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