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Acadêmicos do Samba: Os desafios da Grande Rio Caçula do Grupo Especial, escola de Caxias equilibra-se entre presente, passado e futuro Bruno Filippo
Bom de bola, bom de samba, paixão Zeca Pagodinho dispensa apresentação. Entrou no enredo “Caxias – O caminho do Progresso” por ser uma figura ligada ao município, onde morou por muito anos e onde mantém uma escola de música para crianças. E Perácio? Perácio nasceu Milton Abreu do Nascimento, mas, na escola, todos o conhecem como Milton Perácio. É um dos fundadores da Grande Rio, na qual hoje exerce a função de diretor de carnaval. No último dia 22 de setembro, a Acadêmicos do Grande Rio completou 19 anos. É a escola mais jovem do Grupo Especial. Numa década em que o centenário de Cartola, no ano que vem, e o de Paulo da Portela , em 2001 - duas das figuras mais emblemáticas da história do samba e do carnaval -, não seduziram nem Mangueira nem Portela, é salutar que uma agremiação imberbe, recém-saída da adolescência, preste homenagem a uma personagem importante de sua história. Perácio não é um Cartola, nem um Paulo da Portela, e isso não é demérito algum – o que só aumenta o desconforto com a proposital falta de memória das duas mais antigas escolas do Rio de Janeiro. Perácio, em março de 88, foi eleito presidente da Acadêmicos de Duque de Caxias. Foi dele a idéia de trazer a família Soares para capitalizar a agremiação, que, seis meses depois, fundiu-se com Escola de Samba Grande Rio, que desfilava no Grupo de Acesso B, dando origem a Acadêmicos do Grande Rio. A chegada ao Grupo Especial foi rápida - e a permanência nele, após um único rebaixamento, data de 93. Nestes quatorze carnavais, a Grande Rio construiu a imagem de uma escola rica e emergente, ao pretender ser, de maneira temerária, a escola de artistas, globais e socialites. Seu camarote no Sambódromo, de quatro pavimentos, é um dos mais badalados do carnaval. Isso é temerário porque sedimenta, em pessoas influentes do carnaval, a idéia de que a Grande Rio é uma escola sem identidade, sem “chão”, sem comunidade, repleta de componentes sem compromissos com sua história. O que não é verdade. Ou apenas meia verdade. À semelhança da Grande Rio, outras escolas tiveram ascensão meteórica, como Tradição e Porto da Pedra – mas, diferentemente da escola de Caxias, não conseguiram manter-se seguidamente e por tanto tempo na elite do carnaval.. A Tradição, depois que abandonou seus objetivos originais, tornou-se escola ioiô, desabando, em 2007, para o Grupo de Acesso B. A Porto da Pedra, no Grupo Especial, depois do avassalador desempenho em meados dos anos 90, tenta escapar dessa sina, e todo ano é apontada, por vezes injustamente, como favorita a descer. Nos dois últimos desfiles, a Grande Rio, a despeito das críticas, chegou em segundo lugar. Ainda lhe falta o título. Falta-lhe, também, um repertório. Os poucos carnavais não seriam desculpa se a escola mantivesse o estilo de samba-enredo dos primeiros anos. Depois de contratar pesos-pesados do carnaval, como Laíla, Max Lopes e Joãosinho Trinta, a Grande Rio parece ter encontrado em Roberto Szaniecki a expectativa da vitória que lhe escapou das mãos em 2006 devido a seus próprios erros. É dessa expectativa (“qualquer dia chego lá”) que fala o último verso. Como uma jovem ambiciosa, a Grande Rio sonha alto. Mas já é uma realidade no história recente do carnaval. · * * * A coluna anterior provocou indignação em componentes do Império Serrano, que me acusaram de desrespeitar a escola. Quem se dispuser a lê-la atentamente verá que isso não é verdade. Comentei o caso Tuchinha, e depois, para mostrar que esse problema é muito mais antigo, reproduzi uma das matérias publicadas onze anos atrás por O Dia numa série de reportagem. Foi essa reportagem que destrinchou a relação de um compositor da escola com o tráfico de drogas. O Império Serrano é muito maior.
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