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Artigo: Duas majestades em um mesmo palco Luis Carlos Magalhães relata a alegria de ver Roberto Silva e Nei Lopes num show e saúda a volta dos espetáculos musicais ao João Caetano Luis Carlos Magalhães
Quando eu li, ainda que apressadamente, Roberto Silva...Nei Lopes...me aprumei logo. Mas ‘tava demorando. Para um governador que é filho daquele pai todo, estava mesmo demorando ter alguma coisa boa na nossa área. Nada no João Caetano até agora... Cadê sinal de um “Seis e Meia” do João Caetano, aquelas sextas-feiras inesquecíveis no MIS, com Ivone Lara, Paulinho da Viola, Velha Guarda da Portela, Elza Soares...tudo 0800 e com cerveja a um real. Chorinho no MIS da Lapa toda quarta, chorinho nos jardins do palácio. Há quem garanta que vai prevalecer o DNA e vem muita coisa boa por aí, tomara! Mas eu estava lá. Uma vez chamaram Paulinho da Viola para cantar em um show, e mandaram: _ Com vocês o "Príncipe do samba". E Paulinho, como-sempre-como-um-príncipe: _"Pera lá...Príncipe do samba é Roberto Silva! E assim foi. Quando cheguei a Orquestra Criola, do saxofonista Humberto Araújo, já mandava um maxixe-cubano (era isso mesmo?), um ou outro Noel,,tudo muito bem “arranjado”, muito caprichado, muito ensaiado, só de aperitivo. E tinha também Marcelo Viana cantando. Ele, neto de Pixinguinha, ator-dançarino-cantor dos meus favoritos, integrante de duas das melhores produções desta cidade em nossa área; Clara Nunes, que vi (juro!) mais de vinte vezes em temporadas diferentes e "O samba da minha terra" de Marília Barboza, produção da velha e boa Funarte, a FUNARTE do Ciro, que assisti outras vinte vezes...e fiquei querendo ver mais. Entre uma e outra beliscada em cena do “outro mestre” entra em cena o rei do samba sincopado. Tido e havido como intérprete favorito de João Gilberto, o “príncipe” mostrou mesmo que era o favorito quem saiu de casa ou do trabalho para vê-lo.
Uma beleza, uma vitalidade, uma exuberância de dar inveja. O alegre desfrutar de uma carreira de centenas de discos (78 rpm), 32 LP’se a ainda hoje deliciosa série "Descendo o Morro" com cinco LP’s ainda hoje procurados. Por várias gerações. Na próxima quarta estarei lá. Vai ser Noca da Portela. Desculpem a expressão mais ela se encaixa perfeitamente em Noca: um "hit maker". Impressionante a quantidade de sucessos da carreira de Noca. Tomara que a voz não esteja de tocaia, tomara...Também Nelson Sargento, com novo disco por aí, ele remanescente da formidável geração de compositores do morro da Mangueira. E o grupo DNA do Samba. Só filho-de-peixe: filho do Nei, filho do Neguinho, filho do Sargento e acho que um neto de D. Ivone Lara. O melhor da noite foi ir embora sem saber quem estava mais feliz. O público de Roberto ao pedir os sucessos de seu ídolo ou se era ele próprio, por estar ali naquele palco, com aquela idade, cumprindo sua missão de artista do povo. O pior da noite foi ver no palco a "outra majestade", o outro mestre contido em seu papel de mestre de cerimônia, dando ali uma ou outra beliscada em cena, deixando o "Príncipe" bem à vontade. Digo pior porque não é fácil estar ali no teatro, ver um artista de tamanha envergadura no palco e não ouvir nada...nada de seu baú de sucessos inesquecíveis. Deixa ele...
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