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Artigo: Duas ou três coisas que sei de Paulo da Portela Luis Carlos Magalhães homenageia a memória do sambista 60 anos após a sua morte Luis Carlos Magalhães
E foi assim até que as casas especializadas começaram a vender pianos. Depois, com os pianos vendiam partituras musicais. Assim a maestrina Chiquinha Gonzaga ganhava a vida, vendendo partituras das músicas que compunha. O samba, ainda como conseqüência das reformas urbanas, subia o morro junto com os sambistas. E ficava lá. Tempos da Favella, no atual Morro da Providência. Depois Mangueira, Estácio, matriz e tantas e tantas outras. Depois veio o disco, gravação mecânica. Não era para qualquer um colocar voz naquela placa de cera.. Só mesmo quem tinha vozeirão e acompanhado por metais; tempos de Francisco Alves, o Chico Viola...rei da voz. Com a gravação elétrica tudo mudou. Qualquer um poderia gravar. Tempos de Mario Reis, mais ou menos um João Gilberto de sua época. Com as gravadoras prontas para gravar, e muito mais prontas para vender, a nascente indústria cultural precisava e procurava vorazmente músicas para gravar..E quem fazia a música, então, era o sambista, como vimos. E onde é que estava o sambista? Nos morros, como vimos. O samba, que era como passarinho,que era de quem pegasse, passou a ter dono desde quando Donga gravou pelo telefone. E nunca mais parou. Como o sambista tinha má fama, baralho, navalha, malandragem, não tinha vez nas gravadoras. Foi aí que o samba desceu o morro. Ou melhor, os intérpretes é que subiam o morro para comprar samba dos sambistas e gravá-los como seus. Quem desceu o morro foi o samba, o sambista continuou lá em cima. È neste contexto econômico social que ocorre, aqui na cidade, a famosa polêmica entre Noel Rosa e Wilson Batista quando o poeta da Vila aconselha ao ‘malandro’ abandonar a malandragem, se profissionalizar e viver de seu ofício sem precisar vender sambas para falsos parceiros como Cartola cansou de fazer. Lá na Roça, em Oswaldo Cruz, não era Noel Rosa e sim Paulo da Portela que ‘enquadrava ‘os sambistas para que pudessem sobreviver na nova realidade de um país que se industrializava, inclusive do ponto de vista de sua cultura popular. A já tão conhecida história de o sambista passar a andar ‘com pés e pescoço ocupados’: de sapato e abotoado.
Assim, junto à imprensa, junto às autoridades, Paulo representava as escolas de samba, Depois, tudo mudou. Tendo Paulo à frente as escolas de samba romperam fronteiras, cordões, cordas e preconceitos. Conquistaram a cidade, o país e adquiram destaque no cenário mundial . Hoje o desfile é nosso orgulho maior. Contando ninguém acredita ... * E-mail para contato: lcciata@hotmail.com
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