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Artigo: Luis Carlos Magalhães comenta os resultados nas escolhas de samba-enredo Luis Carlos Magalhães
De minha parte é sempre a mesma coisa: quase nenhum me agrada. Depois vou gostando de mais um aqui, de mais outro ali e no carnaval acabo por estar ‘curtindo’ quase todos ( ...eu disse ...quase todos...porque ninguém é de ferro!). Sei que nenhum ficará na história...da grande maioria até esqueceremos, tal como aconteceu nos anos anteriores e , que fique bem claro, também em todos os anos anteriores. Bem claro: em todos os anos anteriores. Errei mais do que no ano passado. Errei Beija-Flor, errei Mocidade. Errei Vila e Salgueiro, nestas errei sabendo... As que acertei agora, errei ano passado ...e assim vai... Uma pela outra, nada muito diferente; é só pegar o ‘pioneiro’ e fazer as contas, nem precisa de calculadora: cem dividido por mil, cada um com quanto fica? Como ensinou o mestre em 39, não adianta perguntar à caixa surda...muito menos pedir cola à cuíca... O mais positivo foi a forte disputa da Portela. Mais ainda quando vemos nas finais só ‘filho de peixe’: filho do João, filha do Paulinho e filho do Osmar. Mais marcante foi a disputa do Salgueiro. Na verdade, muitos de nós vamos para as quadras cheios de esperança de ‘essa canoa virar’.Ficamos ‘sebastianamente’ esperando um novo grande talento chegar e nos encher os olhos com algum samba formidável, não é mesmo? No fundo sabemos que não bastará tal sambista aparecer; alguns deles estiveram nas quadras. Será preciso muito mais que isto. Será preciso que ele esteja disposto a enfrentar o atual paradigma, o atual modelo-vencedor-de samba-enredo, certo? Que esteja disposto a perder, disposto a deixar a marca na expectativa de que outros venham atrás. O carnaval não mudou em um carnaval... O pragmatismo impõe que reconheçamos: o ‘modelito’ é este que está aí, mesmo que tenhamos – eu pelo menos tenho – de que este momento do carnaval está longe de ser o melhor momento do gênero, embora também não seja o pior. Sabemos que houve uma época em que ‘o que ficava’ era o samba. Salvo alguns momentos como 'Kizomba', como o Cristo do Amir Haddad e do João a Chica-que-manda, a volta da Mangueira e outros momentos, na memória, na cabeça da gente ficava o samba. Assim foi 'Monteiro Lobato', foi 'Palmares', foi 'Kizomba' também, foi 'Sonhar com Rei', entre tantos outros naturalmente. Vivemos hoje momentos em que os sambas ‘não ficam’, Culpa da nova geração? Silas ganharia algum samba agora, Anescar, Candeia. E Hélio Turco ... Aí é que está o rolo... queria ver esses mestres ganharem hoje...naquele tempo a diretoria aceitava, a harmonia queria, os julgadores validavam e o povo .... bem o povo canta até hoje ... A gente pisa na quadra esperando que aconteça um Didi, da Ilha e do Salgueiro. Que faça um samba de tal forma renovador que não haverá bolas, bandeirolas e borrifadores que o barrem. E se isto acontecer um dia...qual será o comportamento da escola, do carnavalesco? Qual será o comportamento da velha-guarda, das baianas se a diretoria se mostrar contrária? Conhecemos nossas expectativas quanto aos rumos do carnaval. Mas se lá estivéssemos como carnavalesco, como diretor de carnaval, como presidente ...correríamos esse risco? Diga aí Sergio Professor ? O buraco é maaaaiiis em baixo, diria o Sérgio. E aí um dia a gente chega lá no Salgueiro e ouve aquele samba. E vai para casa feliz da vida... acreditando até em Papai Noel... E aí? O carnaval não mudará em um carnaval... Volto ao tema...
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