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Artigo: Luis Carlos Magalhães reverencia Cartola no centenário do mestre O gol mais bonito de Pelé
Há controvérsias? Certamente sim!. Mas como saber isto? Que tal perguntar ao Papa? Puxa, mas logo ao Papa, tão longe...será que o Papa tem orkut, msn, ou mesmo responde e-mails? É...melhor deixar o Papa p’ra lá. Certeza mesmo só perguntando a ele, Cartola. E quem o fará...como fazê-lo? Mais difícil que o Papa, certamente... Já sei: perguntar a um poeta. Não é a eles que recorremos para as respostas que nem o google dá conta? Mas que poeta terá tal resposta? Os malditos...os que dizem madrigais...os panfletários...os amargos...ou os pixadores dos muros de nossa cidade? Os desamados, os tristes...os sem esperança... São tantos... os poetas; ...que tal ao maior de todos? Ou aquele de quem mais gostamos,que mais de perto nos fala...
Que teria dito Pablo Neruda de Cartola? Fernando Pessoa, Castro Alves... Como pode em um mundo tão prático ser tão difícil saber dos poetas sobre Cartola, quem sabe o wikipedia? Até isto saberá? Vamos ver? Olha só...caramba...está lá... “Cartola nasceu num domingo de primavera...também morreu num domingo de primavera”. Só Cartola mesmo... E está lá também: “o samba ‘O Mundo é um Moinho’ foi o favorito de Carlos Drummond de Andrade”. E agora...quem discordará? Podemos até mudar o primeiro parágrafo lá em cima... Não poucas vezes neste espaço comparei Cartola a Pelé: o Pelé do samba. Saber qualo mais bonito samba de Cartola é tarefa tão ingrata quanto apontar o gol mais bonito de Pelé; bem mais fácil é dizer não o mais bonito e sim aquele do qual mais gostamos, é mais pessoal. O gol de Pelé, não sei...jamais saberei; o samba de Cartola é ‘Sala de Recepção”, e talvez eu nem saiba direito a razão. E me vem à cabeça uma frase de Tinhorão que gosto muito. Gosto tanto dela que a tenho como luz para tantos caminhos que percorro. Ele diz assim: “(...) é a alegre coragem de viver do povo que precisamos imitar. São as pegadas de seus Esta frase diz tudo, mesmo que eu nem saiba exatamente traduzir... dimensionar. Fico imaginando o morro da Mangueira naquele tempo, aquela gente que ali vivia, ainda tão recentemente ‘enxotada’ da cidade que se transformava, que se afrancesava. Outros tendo tido suas casas incendiadas no morro de Santo Antônio, sem emprego, sem respeito, como poderiam ter ‘aquele espírito’ cantado por ele. Fico pensando: será conformismo...será resignação...será submetimento à adversidade? Como Cartola pode ter dito que a felicidade mora ali? Como pode ter dito que ali não precisavam de mais nada, que a lua prateada lhes bastava para a completude da vida, inclusive para acolher, como irmão, um Paulo da Portela escorraçado de sua escola, recebido que foi, por ele e por Carlos Cachaça, ‘ ...como se fosse um irmão’.
Que sentimento terá sido esse, indecifrável para mim, pobre mortal. Como definir Cartola? Como identificá-lo em seu centenário? Como situá-lo no universo do samba, da cultura brasileira e de nossas próprias vidas? Drummond é pouco; Neruda, Castro Alves, Pessoa teriam sido pouco. Nem mesmo o Papa seria necessário...nem suficiente; nem mesmo um samba novo, nenhum outro que Cartola tivesse feito, por mais belo que fosse. Nada terá sido mais preciso, mais precioso, bonito, mais exato, mais poético, mais próprio que dizer dele, do inigualável Cartola, o que dele disse seu contemporâneo Nelson Sargento: “Cartola não existiu: foi um sonho que a gente teve”
Habitada por gente simples e tão pobre Pois então saiba que não desejamos mais nada Tem lá no alto um cruzeiro Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora Minha mangueira essa sala de recepção
Sites consultados: _______________________________________________________ 2) O alto do morro (chalé). Do livro ‘Fala Mangueira’ de Marília Barboza, carlos Cachaça e Arthur de Oliveira F°. Editora José Olympio. 100 personalidades escolhem a melhor música de Cartola
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