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Artigo: Mocidade encanta, Imperatriz decepciona Bruno Filippo Há alguns carnavais a Mocidade não fazia um desfile tão bonito quanto o deste ano. A escola, de olho na gorda verba da prefeitura, aceitou fazer enredo comemorativo dos duzentos anos da chegada da Família Real, e escolheu um viés diferente: o sebastianismo, que junto com D. João VI, desembarcou no Brasil. Era um enredo difícil, sobre um tema que mistura fantasia e realidade e se camufla sob outros nomes. Mocidade superou essa dificuldade; o samba-enredo, para usar uma linguagem habitual da crônica de carnaval, “funcionou”: tanto o público quanto os componentes cantaram alto. As alegorias e as fantasias conseguiram tornar mais claro o enredo, sem recorrer à fácil solução de fazer referência a D. João VI, que aliás ficou escondido num carro alegórico. Ele era apenas um pretexto para falar de assunto mais abrangente. Houve erros, claro: a escola correu muito no fim do desfile, o que pode tirar-lhe pontos em evolução e em harmonia; e um carro alegórico quebrou no início, causando um pequeno buraco entre as alas. São detalhes técnicos, essenciais numa competição que vale título. Se vai ganhar, se vai voltar no desfile das campeãs, isso depende dos mistérios e da imprevisibilidade do julgamento. Mas esses detalhes tornam-se irrelevantes diante da constatação de que a Mocidade, que vinha se acostumando a desfiles medíocres, voltou a fazer grande carnaval. O povo de Padre Miguel pode orgulhar-se de sua escola. * * * A outra escola que levou para a avenida no segundo dia de desfile a temática do bicentenário da Família Real foi a Imperatriz. Foi um desfile decepcionante. Não que tenha sido ruim; pelo contrário, foi melhor do que em anos anteriores – mas a expectativa que se criou devido à excelência do samba-enredo e do enredo não se traduziu num grande momento do carnaval. O enredo não conseguiu encadear aquilo que seria um dos momentos mais originais do carnaval: a joões e as marias do povo de Ramos, descendentes populares da realeza que impera em sua dureza do cotidiano. Fantasias e alegorias muito repetitivas, mas sem a exuberância da plástica da Rosa Magalhães de outrora. E o samba-enredo, o melhor do ano, não “funcionou” como se supunha, não foi cantado nem pelas arquibancadas, nem por parte da escola.
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