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Artigo: o carnaval descarnavalizado de Paulo Barros Bruno Filippo Rio - Ao fim do desfile da Viradouro, as reações variavam. “Temos de tirar o chapéu para ele!”, dizia um jornalista. “O desfile não arrepiou, merece no máximo nota 8”, criticava um comentarista de carnaval. Opiniões opostas sobre o desfile de uma escola de samba são uma característica do carnaval. Com Paulo Barros, a divergência radicaliza. É assim há cinco anos, desde que emergiu como um inovador de uma festa que pedia inovação. Por quê? Porque Paulo Barros não carnavaliza seu desfile. As escolas de samba têm uma linguagem própria, que se sedimentou nos 60, com a participações de profissionais com formação erudita nas agremiações. Uma fantasia, uma alegoria, um adereço, mesmo fora do contexto do carnaval, serão sempre criações carnavalescas. Ou melhor, carnavalizadas. Uma pista de esqui na Sapucaí, bruta, sem ao menos uma decoração, uma estética que conote carnaval, é exatamente isso – uma pista de esqui levada a um desfile. Causa impacto, mas não é linguagem carnavalesca. Seria assim com o famigerado carro do Holocauto. Pelas fotos que foram publicadas, Paulo Barros apostou na estética do grotesco, que em séculos passado na Europa foi a estética do carnaval, mas nunca a das escolas de samba, nunca a do carnaval do Brasil. Seria impactante, assim como o foi a solução que ele encontrou para substitui-la, com homens de branco com mordaça encimados pela figura do Tiradentes. Mas, novamente, descarnavalizado. Para o julgador de alegorias e adereços, as inovações de Paulo Barros criam um sério problema: como criar um parâmetro de julgamento com as outras escolas? Como avaliar a alegoria em sua criatividade, conforme o regulamento, se uma pista para esquiar, em si, não é nada criativa, mas sim idéia de transpô-la para a avenida? Como reparar no acabamento, se não há acabamento? A estética de Paulo Barros é tão polêmica que deixa em segundo plano outros quesitos que não são de sua responsabilidade, como harmonia, evolução, samba-enredo, mestre-sala e porta-bandeira. Carnaval são dez quesitos; mas, para a opinião pública, o carnaval da Viradouro é o do Paulo Barros. Um carnaval descarnavalizado.
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